quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Despertando Talentos - Momento Cultural - PEC 2017

Arte projetada pelo aluno John Lennon 3ª A tarde

              O tema proposto acima demarca o propósito de despertar nos alunos da contemporaneidade os talentos trazidos dentro e fora do ambiente escolar. O momento cultural na escola passa a ser a oportunidade para que as potencialidades possam ser desenvolvidas desde o processo de plantio, cultivo e de colheita. Assim, percebemos uma interação conjunta entre professores e professores, alunos e alunos, professores e alunos, alunos e professores, tendo em vista que os projetos desenvolvidos na escola dão uma resposta a sociedade onde a mesma está inserida. Essa interação perpassa para todos os funcionários da escola juntamente com os alunos. 
                Tivemos salas de artes pláticas, jogos e brincadeiras, poesias e crônicas, dramatizações, palestras e musicais que abrilhantaram o ambiente escolar proporcionando interação, cooperação e dinamismo. O empenho de todos mostra que o céu é o limite, e se duvidar ao ver os projetos e a força dos alunos e de todos os funcionários da escola, percebemos a vontade de transformar a sociedade, a eficacia dos conteúdos ministrados em sala de aula que proporcionam as ferramentas necessárias para o aluno desenvolver sua autonomia frente uma sociedade fragmentada pelo individualismo. Claro, que muitos podem se perguntar: Mas será que não houve dificuldades para a realização do projeto? Sim, claro. Evidentemente as dificuldades fazem parte do processo existencial dos seres humanos, contudo destacamos que o fechamento, ou seja, a finalização do projeto fez com que qualquer dificuldade fosse dissipada no ar.
              Assim, percebemos que a criatividade e sensibilidade dos alunos para a produção de várias tarefas se fez a partir dessa liberdade que os mesmos tem para criar, produzir e reformular conceitos e práticas. Um exemplo, bem perceptível foi na sala de artes plásticas onde os mesmos desenharam aquilo que fez parte de sua infância, com personagens bem diversificados, demonstrando que é inegável que o aluno ao chegar na escola ele já tem diversos conhecimentos dados pela família, pela televisão e os diversos meios de comunicação ( sociedade digital, das TDIC's), da religião e sua cultura. Assim, o papel da escola não é descartar o conhecimento do aluno, mas potencializar aquilo que ele traz consigo mesmo. Também destacamos as excelentes poesias e crônicas que foram feitas pelos alunos sob a supervisão das professoras Josicleia e Adelina, as dramatizações em espanhol com orientadas pelos professores Danielson e Marlene, o coral com os professores Edimilson e Denilson e as danças que agregaram o ritmo da comunidade sob supervisão das professores Renalva e Mara.
             Outra característica marcante foi o trabalho e empenho de todos os professores não apenas em seus grupos mas ajudando os demais grupos sempre que preciso onde desempenharam um excelente trabalho juntamente com a coordenação, direção, enfim todos os funcionários.
            Confesso que como professor de filosofia fiquei preocupado ao compartilhar idéias para a construção do texto dramático para a realização de duas dramatizações, a saber: A arte do bem morrer no Piauí oitocentista e a Morte de Sócrates, mas no dia da apresentação estava inserido com imensa alegria em ver o desempenho dos alunos, demonstrando assim, que o aprendizado na universidade não está desvinculado das escolas ( local onde o licenciado volta para dar sua contribuição como professor). Foram nas universidades que estudei onde aprendi algo sobre o teatro, primeiramente com o professor Gomes Campos, professor de filosofia antiga, que era apaixonado pelo teatro, e em segundo momento com o professor Raimundo Nonato, que auxiliou muito com os projetos de teatro promovidos pela UFPI. O trabalho e divulgação dos fanzines foi marcante, demonstrando uma autonomia incrivel por parte dos alunos em produzir revistinhas customizadas de cunho histórico e filosófico.
                    Esse dinamismo intenso demonstra a necessidade de constante inovação em tempos pós modernos, onde a função da escola passa a ser lutar pela coletividade, num mundo de individualismo, de mostrar valores sólidos em tempos de pulverização dos mesmos, de demonstrar que um mundo melhor é possível de ser construído, pois quando fazemos por amor os resultados são atingidos com êxito.  Nesses momentos é que diante das dificuldades nos alegramos em sermos professores aguerridos em prol para a construção de uma educação que possa fomentar o desejo de conhecimento por parte dos alunos, onde os professores tornam-se mediadores do processo formativo. 

Confira a seguir algumas fotos:

Prof. de filosofia fazendo "arte"
Lembrancinhas produzidas pelos alunos


Palestra com a Prof. Daniela Rosa 










Prof. de filosofia Ricardo de Moura Borges.

Prof. Ricardo de Moura Borges.

Prof. de filosofia em momento artístico 


Alunos do 3 ano do ensino médio com o Prof. de filosofia






Grupo de artes plasticas 






Sala de Artes Pláticas

Da esquerda para a direita: Coordenador Luís, Prof. Jadiel ( Geografia), Diretora Beniria e o Prof. Kelson ( Matemática e Educação Física)



Prof. Danielson, Prof. Karol e Prof. Kelson

Sala de Artes Plasticas 

Professora de Português ( Poesias e Crônicas)


































































































Prof. de Filosofia e Prof. de Geografia 

Prof. de Física e Prof. de Química





























































Confira também:




terça-feira, 19 de setembro de 2017

A Contemporaneidade e a Educação : Uma constante reinvenção



Celso Antunes em palestra no SALIVAG  em 17 de setembro de 2017 ( arquivo pessoal de Ricardo de Moura Borges).


O ser professor em tempos de tecnologias digitais e aceleramento constante do conhecimento nos leva a profunda reflexões, mesmo sendo em tempos informações rápidas, fluentes e constantes. São muitos os desafios encontrados em sala de aula, desde a sua formação de padronização tradicional ( mesmo que " nem tudo que é tradicional deva ser abolido"), que deve ser repensado. O ponto chave da questão não é mais aprender o conteúdo para uma determinada prova, mas sim para a vida, sendo que esse aprender deve ser problematizado, inquietado, estimulado pelo agente da ação educadora. Assim, o professor não é o único agente formador, aliás nem formador é mas sim um estimulador, um condutor que através de desafios, propostas, interatividade passa a conduzir o aluno até o conhecimento. 
Compartilhamos uma crônica encontrada no livro História e Didática p.11-13 para aprofundarmos nossa reflexão:

- Boa noite professor.  O senhor nos enviou seu currículo e como vamos necessitar de um professor de História para o ano letivo que começa, gostaria de trocar ideias. Responda-me, por favor. Por que gosta de ensinar História, caro mestre?

- Boa noite, senhor coordenador. ( lembrei-me de quando comecei a lecionar em 2015). Gosto da História pelos heróis que mudaram o mundo, encantam-me seus feitos e sua glória. Amo descrever batalhas, situando-as em seu tempo e nos lugares onde ocorreram. gosto muito das datas, sempre tive enorme facilidade para memorizá-las...

- Diga-me professor. Para o senhor o ensino de História é o relato de fatos e lembrança de datas? O senhor não cosntuam ver nos acontecimentos de agora uma dimensão temporal? Para o senhor, ensinar História não são episódios da construção de uma reconsttrução de sociedades que nos faz refletir sobre as situações locais, regionais, nacionais e mundiais? Suas aulas não conduzem os alunos a identificar semelhanças e diferenças e diferenças entre as culturas no espaço e no tempo, nas mudanças e permanecias nos modos de se viver, de pensar e de fazer e nas heraças que as geraçoes deixam as outras?

- Não senhor, coordenador.  Sou professor rigoroso e me oponho a essas modernidades que escondem os heróis e , valorizando os intercâmbios de ideias, sugerem formas diferentes de análises e interpretações. Para mim, História é " preto no branco", vencedores e derrotados, heróis e bandidos!

- E suas aulas, professor? Como ensina História?

- Impondo silêncio, é claro. Mostrando que o professor sabe o que fala e por isso ao outra tarefa não cabe senão ouvir e anotar. Sou contra o debate, oponho-me ao diálogo e insisto em mostrar o lugar que cabe ao aluno. Separo com energia e clareza o agora que não pertence a minha aula e passado no qual sou especialista.

- O senhor, professor, conhece outras situações de aprendizagem além da exposição de fatos pelo professor? Assume o papel interdisciplinar de sua disciplina? Instiga a curiosidade de seus alunos, mostrando o ontem no agora e o agora em um possível amanhã? Avalia mais o progresso que os resultados de suas provas?

- Nada disso. Sou contra essas "perfumarias modernosas" e mostro que bem sabem é quem conhece os fatos, as datas e sua sucessão. Não animo reflexões, imponho verdades. Sou " pão, pão, queijo, queijo" e jamais misturo a história do Brasil com a história mundial. Para mim, aprender  é guardar coda coisa no seu lugar. Posso considerar-me contratado, prezado coordenador?

- Apenas uma questão, querido mestre! Qual sua idade? 

- Acabei a faculdade. Faço 23 anos na próxima semana. Por que pergunta, senhor coordenador?

- Apenas curiosidade, professor. Acho-o " Velho" demais para minha escola. Neste espaço gostamos de jovens professores, ainda que muitos tenham bem mais que o triplo de sua idade. Obrigado pela procura, o senhor está dispensado.

Claro que em um olhar mais atento, ou para quem passou por uma faculdade de história perceberá que esse personagem ou não assistiu nenhuma aula de história ou não deu atenção aos conteúdos ministrados e projetos de extensão na mesma instituição. O ensino, a pesquisa e a extensão acabam por desconstruir esse pensamento narrativo de grandes datas, fatos, acontecimentos descontextualizados como narra a crônica. Contudo, percebemos que existe esse pensamento atrelado ao professor como o único detentor de conhecimentos e o aluno como aquele que precisa desse conhecimento único.
A exemplo, se um professor em todas as aulas divide em grupos e propõe atividades coletivas, ou usa filmes em sala de aula pode ocorrer que alguém declare que o mesmo não está dando aula e sim enrolando aula, quando na verdade apenas tardiamente percebem que aquelas metodologias e estratégias aprimoram a visão do aluno e são formas de aproximação do conhecimento. Praticamente foi assim que percebemos a visita do geógrafo Celso Antunes no Salivag em Picos Piauí no dia 17 de setembro de 2017, ou seja, ele foi o inverso do professor apresentado na crônica.
Um senhor de idade que não utilizou nenhum recurso tecnológico (TDI's) e prendeu a atenção da platéia apenas utilizando a fala e a provocação em dinâmicas. Fez perceber por meio de um jogo socrático do " Só sei que nada sei", o quão é importante que o sujeito seja estimulado para se chegar ao conhecimento, sendo que o mesmo é estragado quando lhes dão de mão beijada as respostas prontas e acabadas, pois as mesmas não são carregadas do elemento mais importante e essencial: o sentido. O sentido só pode ser dado pelo indivíduo que busca e esse buscar constante deve ser papel do professor em instigar o aluno.

Como professor iniciante percebi o quanto devemos a cada dia nos refazermos na contemporaneidade, pois somos e estamos em constante reinvenção, com quebras de paradigmas, novas forma de aprendizagem surgindo e isso nos causa ou nos leva a um constante retorno: o refazer as práticas pedagógicas, as metodologias que usamos em sala de aula. Mesmo detendo o conteúdo ( o que acaba sendo uma inverdade, pois não existe nenhum professor de determinada disciplina que possa obter TODO o conteúdo da mesma), percebemos que o aluno deve ser provocado. Celso Antunes contou uma história interessante sobre sua vida acadêmica quando precisava fazer estágio em uma escola ( quando cursava geografia), e lembrou que o momento mais fascinante foi quando a professora usou da HUMILDADE para receber críticas de seus métodos pelo aluno estagiante e quando a mesma fingiu não saber do conteúdo, da resposta e INSTIGOU o aluno a buscar o conhecimento, mostrando assim que devemos buscar a autonomia como sujeitos pensantes.


Coordenador Pedagógico da Escola Pedro Evangelista Caminha com o Palestrante Celso Antunes. ( Arquivou pessoal de Ricardo de Moura Borges).

Professor de filosofia ao lado de Celso Antunes - Repensando as metodologias em sala de aula ( arquivo pessoal - foto tirada em 19/09/2107 no SALIVAG - Salão do Livro do Vale do Guaribas).






Bibliografia: 

SELBACH, Simone. História e Didática. Petrópolis, RJ: Vozes, 2010.

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

A Lógica do Poder em Maquiavel


Por: Prof. Esp. Ricardo de Moura Borges.

Charge de Ivan Cabral. Ano de 2007. Reproduzida pela aluna Aline da Silva Moura do 2 B (ensino médio tarde - Escola Pedro Evangelista Caminha)  Geminiano - PI em 30 de agosto de 2017.

            
             A lógica do poder para Maquiavel está desligada da ética cristã que permeava uma política ideal justificada na idade Média pelas virtudes de justiça, bondade etc. respaldadas pela sagrada Escritura, mostrando que o governante deveria ser tal qual o representado. Outra característica que se apresenta é a separação entre a moral pública e a moral privada, ou seja, percebemos uma secularização da política.
            Nicolau Maquiavel (1469 – 1527) de origem Italiana fez seu percurso de vida e morte na cidade de Florença. Gostou sempre da política e estudou os clássicos greco-romanos, sendo portanto um humanista renascentista. Como vimos nas aulas das grandes transformações ocorridas na Europa dos séculos XV ao XVII, com o professor Odair, percebemos então que Maquiavel está inserido em um período de grandes descobertas, onde destacamos: passagem do teocentrismo para o antropocentrismo, mercantilismo, descoberta de novas terras etc. Assim, Maquiavel em seu contexto histórico mostra-se como um filósofo de espírito humanista renascentista (mesmo não concordando com muitos pontos humanistas convencionais), mostrou em suas obras fragilidade nas teorias políticas e decidiu mostras os problemas políticos por um novo cominho.
            Um dos aspectos inovadores de Maquiavel é deixar de lado as discussões e sobre governos e governantes ideais. Sua preocupação é saber como os homens governam de fato, entendendo quais são os limites do uso da violência para se chegar e permanecer no poder, como instituir um governo estável dentre outras questões. Assim, o importante era descrever a realidade, saindo de planos ideais.
            Durante o nascimento de Maquiavel a península Itálica de Maquiavel constituía uma região politicamente descentralizada e socialmente fragmentada. Existiam cinco Estados que eram mais estabilizados, a saber: Os Estados Pontifícios, o Reino de Nápoles, o Estado Florentino, o Ducado de Milão e a República de Veneza. Esses Estados viviam fragilizados devidos os conflitos constantes. No ano de 1492 essa situação ficou mais crítica, quando Lourenço de Médici morreu, porque o seu sucessor Piero de Médici não tinha a habilidade e prestígio de Lourenço. Dois anos após a morte de Lourenço, o rei da França, Carlos VII, atravessou os Alpes com o intuito de dominar o território da Península Itálica, justificando que era parente de Lourenço. Esses conflitos duraram até o ano de 1559. Assim, o filósofo viveu sua juventude, idade adulta e velhice permeado por esse cenário de catástrofe política.
            Com a morte de Lourenço, Maquiavel desempenhou várias funções diplomáticas em nome do governo republicano de Florença, organizado pelo frei Salvanarola. Essas funções foram importantes pra a construção do pensamento filosófico de Maquiavel. Esse frei dominicano, Salvanarola (1452 – 1498), misturava política com religião, pregando uma vida acética e indo contra o papa de seu tempo (Alexandre VI), acabou conquistando a ira de muitos poderosos de seu tempo, dentre eles o cardeal Cesar Borgia (filho do papa Alexandre VI), acabou caindo em descrédito entre a população e acabou sendo enforcado e queimado em praça pública.
            No ano de 1512, os Médici voltaram ao poder na cidade de Florença por meio de Lourenço Médici (opa, mas Lourenço Médici não havia morrido? Sim, mas este era o neto de Lourenço o Magnífico, tendo por sua vez o mesmo nome). Para esse Lourenço Médici Maquiavel dedicou a sua obra mais conhecida, O Príncipe, na esperança de que ele governasse de forma soberana. Contudo no ano de 1527, os Médici foram expulsos, no mesmo ano que nosso filósofo morreria amaldiçoado e esquecido.
            Depois dessa breve contextualização, passemos então para a lógica do poder em Maquiavel, que consiste em analisar o que “se vê” e “como deveria ser”, levando a assumir uma postura diferente, ou seja, voltada para o real e para a ação eficaz. Um exemplo que poderíamos demonstrar da analise real da política poderíamos citar a interpretação de que historiadores da filosofia interpretam que essa citação encontrada no livro o Príncipe: “Quem se preocupar com o que deveria fazer em vez do que se faz aprende antes a ruína própria, do que o modo de se preservar”, estaria se referindo justamente ao frei dominicano Salvanarola, pois este não quis usar armas, dessa forma, sendo dominado pelos seus inimigos.
            A obra o Príncipe é uma análise real da política de sua época, como um manual da arte de governar, que na verdade coloca a lógica do poder como a lógica da força. Aqui faço referência as vídeos aulas do curso de pós graduação onde o professor Emerson, justificou e esclareceu que o seu próprio ato de ensinar e transmitir seu pensamento é um ato de poder através da força do convencimento. Não esqueçamos a definição de política dada pelo professor: “A política é a ação simbólica dos seres humanos na defesa de interesses públicos e privados”. Assim, entendemos que o universo político é uma guerra. Dessa forma, a boa ação política consistirá, em naquele que conseguir atingir, não importando como, os resultados sejam atingidos na busca do bem comum.
            O governante deverá colocar sua ação com virtú, que no conceito de Maquiavel não tem nada em comum com a virtude cristã ou aristotélica (bondade, justiça, temperança), mas sim com força, capacidade e valor. A virtú, portanto, está na capacidade de que o governante tem para se chegar e permanecer no poder. E esse conceito de Virtú está ligado com outro conceito que é a Fortuna, que não é o dinheiro em si, ou o capital, mas com as oportunidades, que também pode ser definido com o fator sorte que o indivíduo bem preparado deverá ter na roda da fortuna. Lembremos, do neto de Lourenço, o Magnífico que teve a virtú, mas não teve a mesma fortuna que seu avô. Dessa forma, a virtude maquiavélica se mostrará na ação concreta e de oportunidade, que está na prudência de um observador atento. Dessa forma, o governante ou o príncipe virtuoso será aquele que aproveitar a situação existente para colocar em prática as mudanças e consequentemente alcançar os seus objetivos.


Bibliografia Consultada:


ABBAGNAMO, Nicola. História da Filosofia.3ed.v.5. Lisboa: Editorial Presença.
MAQUIAVEL. O Príncipe. São Paulo: Abril Cultural, 1973 (Col. Os Pensadores).
JAPIASSÚ, Hilton. Dicionário Básico de Filosofia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar: 2006.



segunda-feira, 31 de julho de 2017

O professor em constante construção


Arquivo pessoal de Ricardo de Moura Borges (2017)


De acordo com Libâneo (2004), espera-se dos professores:


  1. Que sejam especialistas no conteúdo que ensinam, nos processos investigativos e tenham certo grau de conhecimento de cultura geral;
  2. Que associem o conhecimento científico ao desenvolvimento dos processos de pensamento;
  3. Que dominem métodos, procedimentos, pesquisa e exercícios centrados em problemas;
  4. Que conheçam o mundo do trabalho;
  5. Que tenham reflexão crítica em relação aos conteúdos e ao papel social;
  6.  Que dominem as tecnologias de informação e comunicação;
  7. Que avaliem a organização escolar e aprendizagem;
  8. Que lidem com variadas formas culturais e com a diversidade social em prol da aprendizagem do aluno;
  9. Que proponham um trabalho interativo e desenvolvam habilidades comunicativas;
  10. Que participem de trabalhos em equipes e atividades de pesquisa;
  11. Que incentivem e conduzam os alunos a pensar e agir com valores e atitudes adequados;
O professor como um agente social, procura estabelecer metas, planos, objetivos afim de chegar a uma transformação social, contudo as realidades apresentadas mostram as suas peculiaridades. Diante destas os desafios profissionais na área docente possuem desafios característicos. O professor passa a ser um ser em construção que vai desenvolvendo métodos, estratégias e reflexões sobre seu ato de ensinar. Com pouca experiência na área docente, passando por diversas situações percebemos que a maturidade profissional, acontece de forma paulatina, contudo, com muito esforço, dedicação e vontade para ampliar e aplicar cada vez mais os conhecimentos de forma eficaz e eficiente. 
Essas habilidades que são desenvolvidas pelos professores e motivadas para que os alunos a desempenhem está relacionado a reconstrução da sua prática a partir de uma nova perspectiva, interagindo no contexto social e escolar e principalmente transformando a própria intervenção na sala de aula.
Essa constate construção e reconstrução parte da sensibilidade do profissional docente, que permeado pela sua construção teórica, visão de mundo entende a escola em seu conjunto: professores, funcionários, coordenadores, diretor, alunos, pais, comunidade onde a escola está inserida, parte em busca de uma melhoria em seu fazer docente. 
Dessa forma, os desafios são muitos, o professor passa a ser um ser em construção permanente que vai aprendendo com os acertos e não acertos, para proporcionar uma relação saudável entre professor-aluno-comunidade. 



Referências

LIBÂNEO, J.C. Gestão e organização da escola: teoria e prática. Goiânia Alternativa, 2004.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Didática, o que é ?

Por Prof. Esp. Ricardo de Moura Borges.


( Arquivo pessoal de Ricardo de Moura Borges)

         O presente livro da autora Pura Lúcia Oliver Martins, nos convida a fazer uma reflexão sobre o papel da didática no contexto brasileiro, tendo como porto de partida dois acontecimentos importantes, a saber:  I Encontro Nacional de Professores de Didática ( 1972); e O I Seminário A Didática em Questão ( 1982).  Encontramos a organização do livro em quatro partes que são descritas por Pura Lúcia (p.10, 2012):

  1. Breve história da didática no Brasil, situando momentos históricos que tiveram uma importância significativa na construção da área, sobretudo em seus princípios fundamentais;
  2. Caracterização das formas assumidas pelo processo didático em diferentes contextos históricos, explicitando seus fundamentos e instâncias operacionais, bem como considerando os três elementos básicos desse processo -  o aluno, o professor e o conhecimento numa concepção determinada pelo ato de conhecer;
  3. Apresentação dos elementos didáticos: objetivos, conteúdos, método e avaliação, tal como apresentados na teoria e na prática;
  4. Indicação de princípios orientadores para a área da didática, na busca de práticas de interação entre professores e alunos pautada na sistematização coletiva do conhecimento. Ao final, exposição de uma tendência atual do processo didático.
           No primeiro momento temos a problemática suscitada no Brasil frente a ação didática onde foi-se questionada a sua função para a formação de professores, ou seja, para que serve? Para que intuito? Tendo em vista que no I Encontro Nacional de Professores de Didática, promovido no ano de 1972, na Universidade de Brasília, " buscava-se um professor tecnicamente competente, comprometido com o programa político-econômico do país" ( p. 25); enquanto que dez anos mais tarde, em 1982 no I Seminário A Didática em Questão, realizado na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, " a preocupação girava em torno da formação de um professor politicamente comprometido com a transformação social. 
             A partir dessa busca pela transformação social em período de termino da Ditadura Militar no Brasil são apresentados quatro momentos fundamentais: 

  • 1985 - 1988 - Período marcado por intensa participação social, conhecido como Dimensão do ato pedagógico;
  • 1989 - 1993 - Período marcado pela intensificação da quebra do sistema organizacional da escola, conhecido como Organização do trabalho na Escola.
  • 1994 - 2000 - Período marcado pelo aprofundamento da ênfase na problemática do aluno como sujeito concebido como um ser historicamente situado, conhecido como Produção e Sistematização coletivas de Conhecimento.
  • 2001 até os dias atuais - Período marcado pela ênfase na aprendizagem, conhecido como Aprender a aprender, diferente da concepção de aprender a aprender proposto pela Escola Nova. Atualmente o aluno deve ser preparado para um universo de pluralidades, onde deve-se formar um " trabalhador intelectualmente ativo, criativo, produtivo" (p.26).
          No segundo momento é apresentado as abordagens do processo didático, em seus fundamentos e instâncias operacionais no contexto das teorias pedagógicas. Temos: O processo de Transmissão/Assimilação; Aprender a aprender; Aprender a fazer; e por fim a Sistematização Coletiva do Conhecimento que expressam em peculiares contextos históricos indicando caminhos distintos na organização do ensino tanto pela Escola como pelo professor.
           No terceiro momento temos a importância "das formas e práticas de interação entre professores e alunos que deve ser a partir de um planejamento cuidadoso da ação docente, trazendo a distinção dos objetivos, a seleção, a organização dos conteúdos, a definição do método e a escolha de técnicas, dos instrumentos e dos critérios de avaliação".(p.65) . A autora estabelece o estudo referente aos tempos hodiernos, contudo não descaracteriza as outras possibilidades de ensino aprendizagem.
               No quarto momento temos: Princípios Orientadores da didática na perspectiva da Sistematização Coletiva do Conhecimento, que são caracterizados: a) Da Vocação Prescritiva da Didática a um modelo aberto de construção de novas práticas; b) Da transmissão á Produção do Conhecimento: Pesquisa-ensino, uma unidade; c) Das Relações Hierárquico-Individualistas para Relações Sociais Coletivas e Solidárias; d) Da Relação Conteúdo - Forma numa perspectiva linear de Causa-Efeito para uma Perspectiva de Causalidade Complexa; por fim, e) Do Aluno Sujeito Individual para o Campo Ideológico Individual do Aluno. Esses princípios " expressam a prática dos professores num contexto marcado pelos movimentos sociais de 1980 e 1990", que se fazem pela Sistematização Coletiva do Conhecimento.
          Em uma sociedade capitalista estamos inseridos em um contexto onde a escola deve atender as demandas sociais vigentes, portanto como nos afirma Pura Lúcia ( p. 80): " Essa forma marcada pela aquisição de competências tem como seu foco no aluno produtivo, sujeito de sua aprendizagem, responsável pela aquisição das competências previstas para sua formação". Onde temos uma educação marcada pela perspectiva do aprender a aprender, que se diferencia da Escola Nova. Continua a autora a dizer: " Essa é uma tendência das formas e práticas de interação entre professores e alunos do atual momento de reestruturação capitalista em que se assiste a uma mudança no foco de exploração: da força de trabalho braçal centrada na racionalização do tempo de trabalho para a exploração da força de trabalho intelectual". 


Referência Bibliográfica

MARTINS, Pura Lúcia Oliver. Didática. 2. ed. Curitiba: Ibpex, 2008.


Confira também:




quinta-feira, 13 de julho de 2017

Qual Meu Estilo de Aprendizagem?




Depois de completar as frases, decida qualo estilo descreve melhor o método como você aprende. Por exemplo, se você marcou três vezes a letra M em interativo e nenhuma vez alguma outra categoria, você pode ser um aprendiz interativo. Esta identificação pode confirmar o que você já sabe sobre como aprender melhor.

Depois de ler cada frase, indique se a afirmação se aplica a você:

M = Muito.
R = Razoalvelmente
P = Um Pouco.
N = Nem um pouco, ou Muito Pouco.

INTERATIVO

- Faço meu trabalho melhor quando estou com outras pessoas;
- Gosto de um ambiente de trabalho colorido;
- Gosto de elaborar respostas dissertativas mais que preencher lacunas com respostas definidas;
- Vejo-me como amigo de meus alunos;
- A pior coisa que poderia acontecer em minha classe é que os alunos não conseguissem relacionar-se;
- As pessoas me descrevem como um indivíduo agradável.
- Parte de minha identidade está baseada no número de amigos que tenho e na força destes relacionamentos.
- Três palavras que me descrevem são amável, participativo e carinhoso.


ANALÍTICO

- Faço meu trabalho melhor sozinho, após conseguir as informações que preciso de livros ou outros professores.
- Gosto de trabalhar em uma escrivaninha ou mesa.
- Gosto de resolver problemas encontrando a resposta certa.
- Eu me vejo como transmissor de informações para os meus alunos.
- A pior coisa que poderia acontecer em minha classe é que os alunos não aprendessem os conceitos corretamente.
- As pessoas me descrevem como alguém talentoso.
- Parte da minha identidade está baseada em quanto os outros acham que sou talentos.
- Três palavras que me descrevem são racional, analítico, talentoso.


PRAGMÁTICO

- Faço melhor meu trabalho sozinho, reunindo informações que funcionem.
- Gosto de trabalhar com minhas mãos tanto quanto com minha mente.
- Gosto de resolver problemas conferindo minhas próprias ideias.
- Vejo-me como treinador, ajudando meus alunos a fazerem o que precisa ser feito.
- A pior coisa que poderia acontecer em minha classe é que os alunos não aprendessem a viver conceitos de modo prático.
- As pessoas me descrevem como trabalhador eficiente, uma pessoa produtiva.
- Três palavras que me descrevem são ativo, realista e prático.


DINÂMICO

- Faço meu trabalho melhor formulando novas ideias e tentando coisas que muitos não arriscariam.
- Gosto de brincar com novas ideias, formando suposições sobre o que funciona.
- Gosto de resolver problemas imaginando soluções ou seguindo intuições.
- Vejo-me como facilitador ou estimulador de ideias para meus alunos.
- A pior coisa que poderia acontecer em minha classe é que os alunos não aproveitassem o que aprenderam e tornassem este mundo um lugar melhor.
- As pessoas me descrevem como um indivíduo altamente criativo.
- Parte da minha identidade própria está baseada em quantas ideias novas eu tenho.
- Três palavras que me descrevem são curioso, líder, criativo.


Baseado nestas afirmativas, eu penso que:

- Meu estilo de aprendizagem mais forte é_____________________________________________.
- Talvez, este quadrante seja seu " hospedeiro base",o local onde você se sente mais confortável ensinando e aprendendo.
- A maioria dos alunos que provavelmente me escapariam são os mais fortes nestes dois quadrantes de estilo de aprendizagem: _______________________________+_______________________________________.

Parte Integrante da Palestra: Estilos de Aprendizagem: Editado por Daniela Rosa A:S. Pereira ( pedagoga)










domingo, 9 de julho de 2017

Valei meu padrinho, Padim Ciço !

  " Meus amiguinhos, quem matou não mate mais ! 
   Quem roubou não roube mais! 
    Quem pecou não peque mais! 
   Os amancebados se casem!
( Pe. Cicero Romão Batista)1

Por: Prof. Esp. Ricardo de Moura Borges. 
















                   Enquanto estudante no Curso de História ( graduação na UFPI), nunca tive a oportunidade de ir a Juazeiro encontrar o lugar de morada do tão conhecido e falado Padre Cícero, apenas agora como professor de história tive a oportunidade de ir ao lugar de morada do padre Cícero, deparando com a história e a lenda, mito misticismo envolto na fé daquele lugar. 
                         O jornalista Jaime Klintowitz nos apresenta o Padre Cicero em seu livro a História do Brasil em 50 frases em uma forma peculiar. Assim, " O padre Cicero Romão Batista tinha 28 anos quando em 1872 se instalou no Juazeiro do Norte, no Ceará, então um arraial com duas ruas e trinta casas de taipa. Ele mandou no Vale do Cariri até morrer em 1934". Tanto a epigrafe como as histórias que são contadas por diversos estudiosos nos apresentam o padre, o prefeito, o coronel, o homem nordestino que se transformou em um mito, com diversas histórias, tradições e saberes populares. 
                          Cicero fez os votos de castidade aos 12 anos de idade, onde teve a inspiração de São Francisco de Sales. Jesus Cristo teria aparecido pessoalmente em sonhos e teria carregado o padre de cuidar dos pobres do sertão nordestino. As pessoas da época já falavam das muitas curas obtidas graças a intermediação do padre á Jesus Cristo.  Mesmo hoje ao visitar o horto onde encontramos o museu do Padre Cicero ficamos abismados com a quantidade de pessoas que deixaram seus relatos de fé ao pedir interseção ao padre e ser atendido, curado de diversas enfermidades, basta entrar nas salas do museu e apreciar a quantidade imensa de súplicas e agradecimentos por preces atendidas. 
                           O fato de maior destaque em vida do Padre foi o de 1889 ( ano da proclamação da República do Brasil), onde o padre afirmava que no momento da comunhão, a hóstia tornou-se em sangue diversas vezes ao ser entregue na boca de uma beata. Hoje vemos duas imagens de cera representando o Padre Cícero e a Beata, onde no museu temos o relato que os restos mortais da mesma posteriormente após sua morte nunca mais foram encontrados. No ano do acontecimento, foi o estopim para que Cícero fosse banido da Igreja, onde primeiro o Bispado de Fortaleza foi investigar o caso e encaminhou para a Santa Sé. Mesmo afastado e impedido de celebrar a missa, muitos sertanejos da época o buscavam constantemente. A cidade de Juazeiro era uma cidade de médio porte, com ruas repletas de romeiros, vendedores ambulantes e diversos beatos vestidos com roupas franciscanas. Não diferente de hoje em 2017 onde encontramos muitos ambulantes, vendedores de terços, e outros artigos religiosos. Diz-se que a mensagem de Padre Cícero era a mesma: " Meus amiguinhos, quem matou não mate mais!Quem roubou não roube mais! Quem pecou não peque mais! Os amancebados que se casem!. 
                            No horto é celebrado atualmente uma missa a cada hora onde muitas pessoas estão sempre presentes vindas de várias regiões do Brasil. Também temos a estátua de Padre Cícero onde muitos sobem e escrevem seus nomes pedindo graças a serem alcançadas ou agradecendo graças alcançadas a Jesus Cristo por meio do padre Cícero Romão Batista. 

1 A descrição da benção diária do Padre Cícero é do historiador Frederico Pernambuco de Mello, em Benjamin Abrhão, entre anjos e cangaceiros. Escrituras: São Paulo: 2012.
Referências

KLINTOWITZ, Jaime. A História do Brasil em 50 frases. Rio de Janeiro: Leya, 2014.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Resenha do Livro: A História do Brasil para quem tem Pressa




COSTA, Marcos. A História do Brasil para quem tem pressa. 1ªed. Rio de Janeiro: Valentina, 2016.

          Um livro que demonstra de forma peculiar um aparato sobre a constituição das terras que foram " descobertas" ou invadidas pelos povos europeus a partir dos fins do século XIV que posteriormente recebeu o nome de Brasil, proporciona ao leitor uma reflexão aprofundada sobre questões pertinentes a nossa história atual, dentre elas destacamos: Existe uma fragilidade politica no Brasil? Quem são esses fantasmas? Por que insistem em nos assombrar? Será possível exorciza-los para sempre?  Por que sendo uma nação rica o Brasil passa por uma profunda desigualdade social? O que havia por trás da viagem de Cabral ao vir para o Brasil?.
             Encontramos o livro divido da seguinte forma: De início temos a capa composta com algumas personalidades brasileiras, onde da esquerda para a direita, de cima para baixo temos:  Uma pessoa vestida aos moldes europeus açoitando um escarvo; Depois, três indígenas, onde dois seguram pedaços de madeira e o terceiro segura o nome do autor do livro, Marcos Costa; logo após uma mulher vestida aos trajes da época colonial no Brasil conversando com um senhor montado em um cavalo com os trajes da época; logo após na segunda linha temos: Dom Pedro II; a Princesa Isabel; Marechal Deodoro da Fonseca; Epitácio Pessoa; Machado de Assis; Getúlio Vargas; JK; e finalizando com o simbolo da figura de rosto impressos nas notas da moeda real.]
       Depois encontramos após a Introdução, a divisão do livro com a demarcação de Quatro Capítulos, divididos da seguinte forma: 1 - Os antecedentes 1453 - 1534; 2- Período Colonial 1534 - 1822; 3 - Período Monárquico 1822 - 1889; e por fim, 4 - Período Republicano de 1889-2015.
      

Um livro que trás um apanhado geral sobre a constituição histórica da terras que foram descobertas ( ou invadidas - para muitos historiadores)  por povos europeus ( portugueses) posteriormente denominada de Brasil, proporciona questionamentos muito importantes, dentre eles destacamos: Po