Este blog tem como proposta socializar a dinâmica educacional vivenciada por alunos e professores da Escola Estadual Pedro Evangelista Caminha localizada na cidade de Geminiano - PI.
De acordo com Libâneo (2004), espera-se dos professores:
Que sejam especialistas no conteúdo que ensinam, nos processos investigativos e tenham certo grau de conhecimento de cultura geral;
Que associem o conhecimento científico ao desenvolvimento dos processos de pensamento;
Que dominem métodos, procedimentos, pesquisa e exercícios centrados em problemas;
Que conheçam o mundo do trabalho;
Que tenham reflexão crítica em relação aos conteúdos e ao papel social;
Que dominem as tecnologias de informação e comunicação;
Que avaliem a organização escolar e aprendizagem;
Que lidem com variadas formas culturais e com a diversidade social em prol da aprendizagem do aluno;
Que proponham um trabalho interativo e desenvolvam habilidades comunicativas;
Que participem de trabalhos em equipes e atividades de pesquisa;
Que incentivem e conduzam os alunos a pensar e agir com valores e atitudes adequados;
O professor como um agente social, procura estabelecer metas, planos, objetivos afim de chegar a uma transformação social, contudo as realidades apresentadas mostram as suas peculiaridades. Diante destas os desafios profissionais na área docente possuem desafios característicos. O professor passa a ser um ser em construção que vai desenvolvendo métodos, estratégias e reflexões sobre seu ato de ensinar. Com pouca experiência na área docente, passando por diversas situações percebemos que a maturidade profissional, acontece de forma paulatina, contudo, com muito esforço, dedicação e vontade para ampliar e aplicar cada vez mais os conhecimentos de forma eficaz e eficiente.
Essas habilidades que são desenvolvidas pelos professores e motivadas para que os alunos a desempenhem está relacionado a reconstrução da sua prática a partir de uma nova perspectiva, interagindo no contexto social e escolar e principalmente transformando a própria intervenção na sala de aula.
Essa constate construção e reconstrução parte da sensibilidade do profissional docente, que permeado pela sua construção teórica, visão de mundo entende a escola em seu conjunto: professores, funcionários, coordenadores, diretor, alunos, pais, comunidade onde a escola está inserida, parte em busca de uma melhoria em seu fazer docente.
Dessa forma, os desafios são muitos, o professor passa a ser um ser em construção permanente que vai aprendendo com os acertos e não acertos, para proporcionar uma relação saudável entre professor-aluno-comunidade.
Referências
LIBÂNEO, J.C. Gestão e organização da escola: teoria e prática. Goiânia Alternativa, 2004.
O presente livro da autora Pura Lúcia Oliver Martins, nos convida a fazer uma reflexão sobre o papel da didática no contexto brasileiro, tendo como porto de partida dois acontecimentos importantes, a saber: I Encontro Nacional de Professores de Didática ( 1972); e O I Seminário A Didática em Questão ( 1982). Encontramos a organização do livro em quatro partes que são descritas por Pura Lúcia (p.10, 2012):
Breve história da didática no Brasil, situando momentos históricos que tiveram uma importância significativa na construção da área, sobretudo em seus princípios fundamentais;
Caracterização das formas assumidas pelo processo didático em diferentes contextos históricos, explicitando seus fundamentos e instâncias operacionais, bem como considerando os três elementos básicos desse processo - o aluno, o professor e o conhecimento numa concepção determinada pelo ato de conhecer;
Apresentação dos elementos didáticos: objetivos, conteúdos, método e avaliação, tal como apresentados na teoria e na prática;
Indicação de princípios orientadores para a área da didática, na busca de práticas de interação entre professores e alunos pautada na sistematização coletiva do conhecimento. Ao final, exposição de uma tendência atual do processo didático.
No primeiro momento temos a problemática suscitada no Brasil frente a ação didática onde foi-se questionada a sua função para a formação de professores, ou seja, para que serve? Para que intuito? Tendo em vista que no I Encontro Nacional de Professores de Didática, promovido no ano de 1972, na Universidade de Brasília, " buscava-se um professor tecnicamente competente, comprometido com o programa político-econômico do país" ( p. 25); enquanto que dez anos mais tarde, em 1982 no I Seminário A Didática em Questão, realizado na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, " a preocupação girava em torno da formação de um professor politicamente comprometido com a transformação social.
A partir dessa busca pela transformação social em período de termino da Ditadura Militar no Brasil são apresentados quatro momentos fundamentais:
1985 - 1988 - Período marcado por intensa participação social, conhecido como Dimensão do ato pedagógico;
1989 - 1993 - Período marcado pela intensificação da quebra do sistema organizacional da escola, conhecido como Organização do trabalho na Escola.
1994 - 2000 - Período marcado pelo aprofundamento da ênfase na problemática do aluno como sujeito concebido como um ser historicamente situado, conhecido como Produção e Sistematização coletivas de Conhecimento.
2001 até os dias atuais - Período marcado pela ênfase na aprendizagem, conhecido como Aprender a aprender, diferente da concepção de aprender a aprender proposto pela Escola Nova. Atualmente o aluno deve ser preparado para um universo de pluralidades, onde deve-se formar um " trabalhador intelectualmente ativo, criativo, produtivo" (p.26).
No segundo momento é apresentado as abordagens do processo didático, em seus fundamentos e instâncias operacionais no contexto das teorias pedagógicas. Temos: O processo de Transmissão/Assimilação; Aprender a aprender; Aprender a fazer; e por fim a Sistematização Coletiva do Conhecimento que expressam em peculiares contextos históricos indicando caminhos distintos na organização do ensino tanto pela Escola como pelo professor.
No terceiro momento temos a importância "das formas e práticas de interação entre professores e alunos que deve ser a partir de um planejamento cuidadoso da ação docente, trazendo a distinção dos objetivos, a seleção, a organização dos conteúdos, a definição do método e a escolha de técnicas, dos instrumentos e dos critérios de avaliação".(p.65) . A autora estabelece o estudo referente aos tempos hodiernos, contudo não descaracteriza as outras possibilidades de ensino aprendizagem.
No quarto momento temos: Princípios Orientadores da didática na perspectiva da Sistematização Coletiva do Conhecimento, que são caracterizados: a) Da Vocação Prescritiva da Didática a um modelo aberto de construção de novas práticas; b) Da transmissão á Produção do Conhecimento: Pesquisa-ensino, uma unidade; c) Das Relações Hierárquico-Individualistas para Relações Sociais Coletivas e Solidárias; d) Da Relação Conteúdo - Forma numa perspectiva linear de Causa-Efeito para uma Perspectiva de Causalidade Complexa; por fim, e) Do Aluno Sujeito Individual para o Campo Ideológico Individual do Aluno. Esses princípios " expressam a prática dos professores num contexto marcado pelos movimentos sociais de 1980 e 1990", que se fazem pela Sistematização Coletiva do Conhecimento.
Em uma sociedade capitalista estamos inseridos em um contexto onde a escola deve atender as demandas sociais vigentes, portanto como nos afirma Pura Lúcia ( p. 80): " Essa forma marcada pela aquisição de competências tem como seu foco no aluno produtivo, sujeito de sua aprendizagem, responsável pela aquisição das competências previstas para sua formação". Onde temos uma educação marcada pela perspectiva do aprender a aprender, que se diferencia da Escola Nova. Continua a autora a dizer: " Essa é uma tendência das formas e práticas de interação entre professores e alunos do atual momento de reestruturação capitalista em que se assiste a uma mudança no foco de exploração: da força de trabalho braçal centrada na racionalização do tempo de trabalho para a exploração da força de trabalho intelectual".
Depois de completar as frases, decida qualo estilo descreve melhor o método como você aprende. Por exemplo, se você marcou três vezes a letra M em interativo e nenhuma vez alguma outra categoria, você pode ser um aprendiz interativo. Esta identificação pode confirmar o que você já sabe sobre como aprender melhor.
Depois de ler cada frase, indique se a afirmação se aplica a você:
M = Muito.
R = Razoalvelmente
P = Um Pouco.
N = Nem um pouco, ou Muito Pouco.
INTERATIVO
- Faço meu trabalho melhor quando estou com outras pessoas;
- Gosto de um ambiente de trabalho colorido;
- Gosto de elaborar respostas dissertativas mais que preencher lacunas com respostas definidas;
- Vejo-me como amigo de meus alunos;
- A pior coisa que poderia acontecer em minha classe é que os alunos não conseguissem relacionar-se;
- As pessoas me descrevem como um indivíduo agradável.
- Parte de minha identidade está baseada no número de amigos que tenho e na força destes relacionamentos.
- Três palavras que me descrevem são amável, participativo e carinhoso.
ANALÍTICO - Faço meu trabalho melhor sozinho, após conseguir as informações que preciso de livros ou outros professores.
- Gosto de trabalhar em uma escrivaninha ou mesa.
- Gosto de resolver problemas encontrando a resposta certa.
- Eu me vejo como transmissor de informações para os meus alunos.
- A pior coisa que poderia acontecer em minha classe é que os alunos não aprendessem os conceitos corretamente.
- As pessoas me descrevem como alguém talentoso.
- Parte da minha identidade está baseada em quanto os outros acham que sou talentos.
- Três palavras que me descrevem são racional, analítico, talentoso.
PRAGMÁTICO - Faço melhor meu trabalho sozinho, reunindo informações que funcionem.
- Gosto de trabalhar com minhas mãos tanto quanto com minha mente.
- Gosto de resolver problemas conferindo minhas próprias ideias.
- Vejo-me como treinador, ajudando meus alunos a fazerem o que precisa ser feito.
- A pior coisa que poderia acontecer em minha classe é que os alunos não aprendessem a viver conceitos de modo prático.
- As pessoas me descrevem como trabalhador eficiente, uma pessoa produtiva.
- Três palavras que me descrevem são ativo, realista e prático.
DINÂMICO
- Faço meu trabalho melhor formulando novas ideias e tentando coisas que muitos não arriscariam.
- Gosto de brincar com novas ideias, formando suposições sobre o que funciona.
- Gosto de resolver problemas imaginando soluções ou seguindo intuições.
- Vejo-me como facilitador ou estimulador de ideias para meus alunos.
- A pior coisa que poderia acontecer em minha classe é que os alunos não aproveitassem o que aprenderam e tornassem este mundo um lugar melhor.
- As pessoas me descrevem como um indivíduo altamente criativo.
- Parte da minha identidade própria está baseada em quantas ideias novas eu tenho.
- Três palavras que me descrevem são curioso, líder, criativo.
Baseado nestas afirmativas, eu penso que:
- Meu estilo de aprendizagem mais forte é_____________________________________________.
- Talvez, este quadrante seja seu " hospedeiro base",o local onde você se sente mais confortável ensinando e aprendendo.
- A maioria dos alunos que provavelmente me escapariam são os mais fortes nestes dois quadrantes de estilo de aprendizagem: _______________________________+_______________________________________.
Parte Integrante da Palestra: Estilos de Aprendizagem: Editado por Daniela Rosa A:S. Pereira ( pedagoga)
Enquanto estudante no Curso de História ( graduação na UFPI), nunca tive a oportunidade de ir a Juazeiro encontrar o lugar de morada do tão conhecido e falado Padre Cícero, apenas agora como professor de história tive a oportunidade de ir ao lugar de morada do padre Cícero, deparando com a história e a lenda, mito misticismo envolto na fé daquele lugar.
O jornalista Jaime Klintowitz nos apresenta o Padre Cicero em seu livro a História do Brasil em 50 frases em uma forma peculiar. Assim, " O padre Cicero Romão Batista tinha 28 anos quando em 1872 se instalou no Juazeiro do Norte, no Ceará, então um arraial com duas ruas e trinta casas de taipa. Ele mandou no Vale do Cariri até morrer em 1934". Tanto a epigrafe como as histórias que são contadas por diversos estudiosos nos apresentam o padre, o prefeito, o coronel, o homem nordestino que se transformou em um mito, com diversas histórias, tradições e saberes populares.
Cicero fez os votos de castidade aos 12 anos de idade, onde teve a inspiração de São Francisco de Sales. Jesus Cristo teria aparecido pessoalmente em sonhos e teria carregado o padre de cuidar dos pobres do sertão nordestino. As pessoas da época já falavam das muitas curas obtidas graças a intermediação do padre á Jesus Cristo. Mesmo hoje ao visitar o horto onde encontramos o museu do Padre Cicero ficamos abismados com a quantidade de pessoas que deixaram seus relatos de fé ao pedir interseção ao padre e ser atendido, curado de diversas enfermidades, basta entrar nas salas do museu e apreciar a quantidade imensa de súplicas e agradecimentos por preces atendidas.
O fato de maior destaque em vida do Padre foi o de 1889 ( ano da proclamação da República do Brasil), onde o padre afirmava que no momento da comunhão, a hóstia tornou-se em sangue diversas vezes ao ser entregue na boca de uma beata. Hoje vemos duas imagens de cera representando o Padre Cícero e a Beata, onde no museu temos o relato que os restos mortais da mesma posteriormente após sua morte nunca mais foram encontrados. No ano do acontecimento, foi o estopim para que Cícero fosse banido da Igreja, onde primeiro o Bispado de Fortaleza foi investigar o caso e encaminhou para a Santa Sé. Mesmo afastado e impedido de celebrar a missa, muitos sertanejos da época o buscavam constantemente. A cidade de Juazeiro era uma cidade de médio porte, com ruas repletas de romeiros, vendedores ambulantes e diversos beatos vestidos com roupas franciscanas. Não diferente de hoje em 2017 onde encontramos muitos ambulantes, vendedores de terços, e outros artigos religiosos. Diz-se que a mensagem de Padre Cícero era a mesma: " Meus amiguinhos, quem matou não mate mais!Quem roubou não roube mais! Quem pecou não peque mais! Os amancebados que se casem!.
No horto é celebrado atualmente uma missa a cada hora onde muitas pessoas estão sempre presentes vindas de várias regiões do Brasil. Também temos a estátua de Padre Cícero onde muitos sobem e escrevem seus nomes pedindo graças a serem alcançadas ou agradecendo graças alcançadas a Jesus Cristo por meio do padre Cícero Romão Batista.
1 A descrição da benção diária do Padre Cícero é do historiador Frederico Pernambuco de Mello, em Benjamin Abrhão, entre anjos e cangaceiros. Escrituras: São Paulo: 2012.
Referências
KLINTOWITZ, Jaime. A História do Brasil em 50 frases. Rio de Janeiro: Leya, 2014.
COSTA, Marcos. A História do Brasil para quem tem pressa. 1ªed. Rio de Janeiro: Valentina, 2016.
Um livro que demonstra de forma peculiar um aparato sobre a constituição das terras que foram " descobertas" ou invadidas pelos povos europeus a partir dos fins do século XIV que posteriormente recebeu o nome de Brasil, proporciona ao leitor uma reflexão aprofundada sobre questões pertinentes a nossa história atual, dentre elas destacamos: Existe uma fragilidade politica no Brasil? Quem são esses fantasmas? Por que insistem em nos assombrar? Será possível exorciza-los para sempre? Por que sendo uma nação rica o Brasil passa por uma profunda desigualdade social? O que havia por trás da viagem de Cabral ao vir para o Brasil?.
Encontramos o livro divido da seguinte forma: De início temos a capa composta com algumas personalidades brasileiras, onde da esquerda para a direita, de cima para baixo temos: Uma pessoa vestida aos moldes europeus açoitando um escarvo; Depois, três indígenas, onde dois seguram pedaços de madeira e o terceiro segura o nome do autor do livro, Marcos Costa; logo após uma mulher vestida aos trajes da época colonial no Brasil conversando com um senhor montado em um cavalo com os trajes da época; logo após na segunda linha temos: Dom Pedro II; a Princesa Isabel; Marechal Deodoro da Fonseca; Epitácio Pessoa; Machado de Assis; Getúlio Vargas; JK; e finalizando com o simbolo da figura de rosto impressos nas notas da moeda real.]
Depois encontramos após a Introdução, a divisão do livro com a demarcação de Quatro Capítulos, divididos da seguinte forma: 1 - Os antecedentes 1453 - 1534; 2- Período Colonial 1534 - 1822; 3 - Período Monárquico 1822 - 1889; e por fim, 4 - Período Republicano de 1889-2015.
Um livro que trás um apanhado geral sobre a constituição histórica da terras que foram descobertas ( ou invadidas - para muitos historiadores) por povos europeus ( portugueses) posteriormente denominada de Brasil, proporciona questionamentos muito importantes, dentre eles destacamos: Po
O presente relato de experiência
propõe entender a aplicabilidade da Olimpíada de Filosofia do Ensino Médio
desenvolvida pela Uninter em Curitiba e aplicada em diversas escolas
brasileiras com o intuito de socialização do conhecimento filosófico
contemplando as realidades presentes em cada local, tendo em vista o
desenvolvimento crítico e reflexivo que a filosofia propõe estabelecer nos
alunos do ensino médio. A escola que obteve essa experiência da Olimpíada foi a
Escola Pedro Evangelista Caminha – PEC, localizada na cidade de Geminiano – PI,
distante a 18 km do polo da Uninter em Picos- PI, sendo aplicado nos primeiros
anos do ensino médio, a saber: 1 B tarde e 1 C noite.
Dessa forma, entendemos que as
Olimpíadas tem por intencionalidade proporcionar uma forma diversificada no
educando, procurando não apenas a competição de indivíduos mas a busca
constante pelo conhecimento filosófico, ampliando e dando acesso a
sensibilidade do aluno frente ao texto filosófico provocando a sua criatividade
de reinventar, ou de propor novas formas de se entender filosofia. Assim, por exemplo, o contato com as obras
filosóficas não pretende “... torna-los mais “refinados” e tampouco mais
‘artísticos’, mas os preparará para receber noções sutis sobre à criação, às
respostas inventivas” (BARROS, 2012, p.12).
Sendo que uma das ferramentas da
contemporaneidade para demonstrar essa criatividade são as redes sociais,
dentre elas destacamos a ferramenta youtube, que proporciona a possibilidade de
socialização do conhecimento por meio do compartilhamento de vídeos, que podem
ser produzidos mediante os diversos aparelhos tecnológicos digitais possíveis,
a destacar: câmeras de vídeo, celulares, smartfones, câmeras fotográficas
dentre outros. Essas ferramentas digitais proporcionam assim a atualização
sendo que “a atualização é criação, invenção de uma forma a partir de uma
configuração dinâmica de forças e finalidades” (LEVY, 2014, p.16). Ou seja,
partir das realidades que muitos alunos já tem contato diariamente como
“nativos digitais”, para anexarem os conhecimentos trazidos pelos “imigrantes
digitais” que são em muitos casos, os professores.
Devemos ter em mente que a
implicação da amplitude do conhecimento filosófico em sala não se restringe a
apenas a aulas isoladas de filosofia, mas também a problematização e a
interação de outras disciplinas com a mesma. Tendo em vista, por exemplo, que
filósofos como Anaxímenes criador do primeiro mapa (geografia), Aristóteles é
considerado pai da biologia, Pitágoras pai da matemática, Descartes criador do
plano cartesiano e assim por diante. Percebemos então que “a questão de ensinar
filosofia começa a ser vista como um problema filosófico – e também político -,
e não como uma questão exclusiva ou basicamente pedagógica”(KOHAN org. 2008, p.19).
Utilizamos como ponto de partida o
conhecimento que foi sendo adquirido pelos alunos do primeiro ano do ensino médio
mediante aulas expositivas dadas pelo professor de filosofia, juntamente com o
livro didático de apoio, intitulado Convite a Filosofia da filósofa brasileira
Marilena Chauí, onde desde a apresentação do mesmo já discute os estereótipos
presentes no senso comum quando pensa-se no que seja o filósofo, como “ alguém
distraído que, sem prestar atenção no que se passa à sua volta, dedica a sua
vida a pensar coisas distantes, complicadas, e provavelmente sem nenhuma
utilidade” ( CHAUÍ, 2013, p.3), possibilitando um debate em sala de aula para
uma aprofundamento sobre esse conceito que se forma na sociedade através de
razões históricas, como o período da ditadura militar no Brasil ( 1964 – 1985),
onde o objetivo a partir do ato Institucional nº 3 foi de abolir a disciplina
de filosofia do ensino.
Em um segundo momento expondo sobre
o nascimento da filosofia tendo como ponto de partida um lugar específico (Mileto,
Grécia antiga, séc. VI), procuramos entender em sala de aula como pensava os
primeiros filósofos que se debruçavam sobre a phisys (natureza), para depois
entendermos porque foram chamados de pré-socráticos, mesmo sendo que alguns
conviveram e morreram depois de Sócrates, como é o caso de Demócrito. Sempre
fazendo essa ponte de ligação do que significa a filosofia, como: “1) saber de
todas as coisas, um saber universal (...). 2. É um saber pelo saber (...). 3. É
um saber pelas causas.” (REZENDE, 2005, p.14).
Em um terceiro momento e finalizando
o primeiro capítulo do livro didático com as resoluções de questões, foi
apresentado em sala de aula o projeto das Olimpíadas de Filosofia no Ensino
Médio, apresentando as propostas e finalidades, tendo como a socialização do
conhecimento dos alunos para demais alunos em diversos lugares por meio das
ferramentas digitais. Foi também solicitado que os alunos em casa assistissem
aos filmes: Matrix e a Sociedade dos Poetas Mortos. Tendo em vista, que esses
conhecimentos poderiam futuramente transformar-se em artigo cientifico, como
ponto de proposta dado pela Olimpíada.
Sendo a sala dividida em grupos,
onde cada grupo poderia, usando de sua magnanimidade, de modo que “a escola não
amplia apenas a dimensão intelectual, mas também a humana” (Francisco, 2010,
p.93). Onde o mesmo propõe que:
Nas escolas
participem de várias atividades que os habituam a não se fecharem em si mesmos,
nem em seus pequenos mundos, mas a se abrirem aos outros, especialmente aos
mais pobres e necessitados, a trabalhar para melhorar o mundo em que vivemos.
Sejam homens e mulheres em conjunto com os outros e a favor dos outros,
verdadeiros campeões no serviço do próximo. (FRANCISCO, 2010, p.95).
Diante
disso, e pensando que a filosofia tem como intencionalidade a problematização
da sociedade em que vivemos, os grupos trouxeram diversos temas onde poderiam
ser demonstrados em sala de aula. Contudo, para um maior aprofundamento dos
temas foram escolhidos duas possibilidades para apresentar, a saber: O mito da
Caverna, escrito por Platão no livro X de A República, onde “Platão formula seu
modelo ideal de cidade, a cidade justa, que serve de contraste para a cidade
concreta”. (Marcondes, 2007, p.39). A
compreensão de cidade no início da Idade Medieval contemplando o pensamento do
filósofo cristão Agostinho de Hipona.
Assim
os alunos produziram vídeos com esses respectivos temas apontados acima, com
duração de no máximo seis minutos como foi apontado nas normas propostas pela
Instituição. No primeiro vídeo ( disponível em https://www.youtube.com/watch?v=2kGNH2M1xGk.),
intitulado o Mito da caverna observamos os alunos após uma apresentação sobre o
mito, fazem uma encenação problematizando e trazendo o acorrentado que sai da
caverna e percorre a cidade de Geminiano – PI, descobrindo as coisas que antes
não foram vistas durante todo o seu processo formativo, trazendo a toda “ o
espanto e admiração”, propostos como início da atividade filosófica por
Aristóteles em seu livro a metafísica. Após os vídeos alguns alunos relataram a
seguinte afirmação: “Professor foi nessa prática e no contato com o texto do
Platão que começamos a entender o que é filosofia”. No segundo vídeo
(disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=p65G2UPsQUU.) percebemos uma atualização e divulgação mais didática dos alunos
onde por meio de narração e exposição de textos e gráficos, os alunos
repassaram de forma interativa e dinâmica a socialização do conteúdo
filosófico, entrando em contato com livros do filósofo, a destacar As
Confissões.
Concluímos que tal proposta
oferecida pela UNINTER, trouxe uma contribuição muito rica para a Escola
Estadual Pedro Evangelista Caminha, onde proporcionou uma amplitude do ensino
de filosofia, mostrando interação, participação, problematização do conteúdo,
amplitude do conhecimento filosófico que abarca todas as disciplinas garantindo
uma socialização do conhecimento para todos aqueles que estiveram interessados
na área de filosofia, fazendo com que o aluno passasse de mero espectador de
aulas, para protagonista de seu processo formativo como estudante do ensino
médio.
REFERÊNCIAS
BARROS, Fernando R. de
Moraes. Estética filosófica para o
ensino médio. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2012.
CHAUÍ, Marilena. Iniciação à filosofia: ensino médio,
volume único. 2ª ed. São Paulo, Ática,2013.
FRANCISCO, Papa. A
Igreja da Misericórdia: Minha visão para a Igreja. 1ª ed. São Paulo:
Paralela, 2014.
GALLO, Silvio (Coord.). Ética e Cidadania: Caminhos da
filosofia. 10ªed. Campinas – SP: Papirus, 1997.
LEVY, Pierre. O que é o Virtual. São Paulo: Editora
34, 2011.
__________. Cibercultura. São Paulo: Editora 34,
2010.
KOHAN, O. Walter. Filosofia: Caminhos para seu ensino.
Rio de Janeiro: Lamparina, 2008.
MARCONDES, Danilo. (Org.) Textos Básicos de Filosofia: dos pré –
socráticos a Wittgenstein. 5ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2007.
REZENDE, Antônio. (Org.) Curso de Filosofia: para professores e
alunos dos cursos de segundo grau e de graduação. 13ªed. Rio de Janeiro: Jorge
Zahar, 2005.
13h Projeto Público Pedagógico ( Revisão e atualização) - Revisar se as ações previstas para 2016 foram desenvolvidas e se alcançam os objetivos propostos.
14h Regimento interno da Escola
15 h Coffe Break
15h 30 Planejamento de ensino ( Elaboração dos Planos de Ação)
Planejar, estabelecer objetivos para um determinado fim, requer uma reflexão que pode partir de vários ângulos, principalmente procurar entender o que está nas entre linhas de uma determinada situação. Sendo assim, meu primeiro questionamento é: Como está a educação pública hoje em dia? Para uma resposta que merece amplitude de reflexão diria que a educação está se adequando a um processo de transformação contínua, onde as instituições como a escola, por exemplo, não são mais vistas como única fonte do conhecimento, pois alunos possuem acesso a informação em tempo mais rápido e interativo do que com contato com os professores.
Essa concepção é antiga, pois a nível de exemplo, destaco lá pelos anos de 1990 ( marcado pela geração de quando era estudante da escola fundamental), não chegávamos na escola sem saber de nada, pois vinhamos para a mesma com um saber dado pela família, pela Igreja e com grande contribuição no processo formativo, um saber dado pelos meios de comunicação, tendo em vista o rádio e a tv, onde esta obtinha mais destaque a partir dos tão famosos desenhos animados. Até hoje, como professor, penso na influência que esses desenhos animados teve na minha formação e de tantas outras pessoas. E o mais interessante, que esses desenhos eram produzidos por uma equipe de uma excelente didática intencional ( pois não existe neutralidade ) em seus conteúdos televisivos. Assim, sem sombra de dúvida, estabeleceram METAS, OBJETIVOS, e PLANEJARAM para chegar a um público alvo.
Ora, o jogador estabelece METAS para uma partida de futebol, tem Objetivos sendo o principal vencer o adversário, treina constantemente se abstendo até da família e amigos para dar o melhor de si em um campeonato. Para um atleta ser um exímio atleta além de um dom pessoal exige-se muito esforço e dedicação do mesmo. Essa transferência quer seja de um grande empresário recai para todos aqueles que almejam sucesso, portanto professores, alunos, coordenadores, gestores, diretores, vigias etc. Para ser o melhor em um mundo desigual, capitalista, competitivo devemos dar o melhor de si em todas as situações de nossa existência. Contudo, o melhor não é aquele que tem um espirito de competitividade vendo seu colega como um inimigo a ser derrotado, mas aquele que supera a si mesmo todos os dias. Essa é uma pergunta fundamental que levanto todos os dias ao olhar para o espelho: Que Ricardo quero ser daqui a cinco anos? . Lutar a cada dia é necessário e possível. Lembro-me de Heráclio de Éfeso que diz que estamos em constante mudança, transformação, e penso que em pleno século intitulado pelo sociólogo Zingmund Bauman de MODERNIDADE LIQUIDA, não houve tão acertiva heraclitiana quanto aos tempos em que estamos vivenciando.
Os desenhos mostram de certa forma uma crítica social, problematizam a realidade e induz naquele que assiste uma nova forma de VER O MUNDO. Ora, mas não seria também essa a intencionalidade do professor para com seus alunos?.Nesse sentido, sempre reflito sobre cada palestra, planejamento pedagógico, seminários, e outras situações sobre o tipo de professor que sou e o tipo de professor que almejo ser daqui a 3 anos, pois o ser humano como um todo está em processo de construção constante, saindo de sua zona de conforto para situações inusitadas que podem recair em criticas ou elogio.
Em pleno século XXI, percebe-se o quanto as TDIC's estão presentes no cotidiano que colocam o espaço escolar a outro nível de reflexão mais profundo onde as soluções para o problema emergente se faz necessário. Nessa perspectiva, encontramos dualidades, problemas, dificuldades que carecem de reflexões profundas. Um desses é: Como resolver uma infinidade de problemas, que não são de hoje mas de uma construção histórica brasileira que não coloca o sistema educacional em seu devido lugar de respeito e prestigio em tempos contemporâneos onde a sociedade carece de respostas imediatas prontas e acabadas?