domingo, 20 de maio de 2018

Jornal Corujinha - Maio de 2018










Nós da Escola Estadual Pedro Evangelista Caminha anunciamos orgulhosamente a 4ª edição do Jornal O Corujinha. Para ter acesso basta clicar em   Jornal Corujinha - Maio de 2018  . Garanta já o seu exemplar e boa leitura!

Redes Sociais e Novas Sociabilidades: os usos do Facebook por jovens de Forquilha - CE. É Hora de Ler: 12. 2018

        


RODRIGUES, Antônia Zeneide. Redes Sociais e Novas Sociabilidades: os usos do Facebook por Jovens de Forquilha – CE. Natal: Caravela Cultural, 2016. 150 p.

            A presente obra foi fruto de uma experiência marcante dentro do curso de Ciências Sociais na Universidade Estadual do Vale do Acaraú - UVA, na cidade de Sobral, onde a autora vivenciou o PIBID - Programa Institucional de Bolsas de Iniciação a Docência, programa financiado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), onde a autora e como jovem estudante debruçou-se sobre o tema das TIC's no processo de abordagem para o entendimento de novas sociabilidades, frente a rede social utilizado pelos estudantes da Escola de Ensino Médio Elza Goersch, situada na cidade de Forquilha Ceará, a 208 km da capital Fortaleza.
         O livro possui 142 páginas estando dividido em: Apresentação, Introdução: Os sujeitos e os procedimentos metodológicos; Surgimento e Desenvolvimento da Internet e das Redes Sociais: Contexto Histórico da Internet, Desenvolvimento das comunidades virtuais, Comparando os conceitos de virtual, ciberespaço e cibercultura, as redes sociais e o Facebook, Sociabilidade e Socialidade; O Campo e os Sujeitos da Pesquisa: Como tudo começou, a cidade e a escola, os sujeitos da Pesquisa; Os " usos" do Facebook: aprofundando os resultados da Pesquisa: Vidas " compartilhadas" - ressignificação do sentido de público e privado, As dinâmicas conversacionais do Facebook, algumas considerações; Encerrando com uma Conclusão no fim do livro antes da bibliografia.
          Dois motivos me direcionaram para a leitura deste trabalho tão rico: a) por ter participado também como estudante do PIBID na UFPI e ter aprimorado a experiência acadêmica a partir da realidade escolar; b) Por ter procurado entender o (des) usos das Tecnologias Digitais de Informação no processo de ensino de História. Dessa forma, entendo o quanto é necessário e importante que estudantes e professores analisem as perspectivas teóricos metodológicos frente a sociedade da Informação da qual estamos inseridos, onde a realidade das tecnologias digitais, apareceram para ficar em todas as instituições desde a família como a escola.
             Prefaciado pelo Professor Dr. Francisco Alencar Mota ( atual professor do Mestrado Profissional em Sociologia), que destaca a importância das Ciências Sociais frente a necessidade de entendimento da sociedade que se transforma constantemente pela inserção do uso das ferramentas digitais, especificamente do uso das redes sociais, destacando que o trabalho " adentra vários aspectos da vida social e perseguir o sentido da própria vida em sociedade na contemporaneidade" (p. 13).
            O entendimento de Sociabilidade está referendada na perspectiva de Simmel, onde "aparece como aspecto que sofreu modificações ao longo do tempo, com a incorporação cotidiana das Novas Tecnologias da Informação, chegando ao ponto de surgirem novas formas de interpretar a  'sociabilidade'. " (p.17). Encontramos no referencial teórico: Simmel, Bauman, Castells, Recuero, Foucalt, Palfrey e Gaser, Gadelha, dentre outros. 
           Entendemos que depois da breve contextualização sobre o avanço da internet e sua expansão atingindo a casa das pessoas, ou o seu bolso na presença dos celulares, percebemos que as redes sociais como o Facebook aproxima quem está distante, mas ao mesmo tempo distancia quem está perto, onde, por exemplo, muitos relatos de alunos apontam que mesmo ao se reunirem na praça cada um pega seu celular e visita a rede social Facebook, sendo constatado que ao entrarem na internet essa é a primeira rede social a entrarem.  A própria rede social Facebook pode dar lugar a outras redes sociais que possam existir, lembremos do Orkut que hoje não faz mais parte da existência.
          Temas como amizade virtual, aparência dos sujeitos que se diferem da realidade, práticas de Self para demonstrar os lugares que estão os sujeitos reais, a foto como representação e afirmação de uma sociedade do consumo, namoro virtual que passa deste para o real, dentre outros se fazem presentes no estudo das sociabilidades encontradas nos relatos desses jovens da escola. 
         Interessante ressaltar também que não existe ainda uma geração dos nativos digitais, no sentido que está começou na década de 1980, mas que não existe ainda uma geração que chegou a sua maturação ou fase idosa, sendo assim, por ser algo recente na sociedade da informação não tem como aprofundar ou saber as consequências a partir da empiria, apenas quando uma geração passar é que teremos uma reflexão mais acurada desse desenvolvimento entre as praticas de socialidade ou sociabilidade das pessoas. 
        Caro leitor, os encontramos na próxima resenha de livro, pois ler é o caminho !




domingo, 13 de maio de 2018

A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo. É Hora de Ler - 11 . 2018

WEBER, Max (1864-1920). A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo. 11ªed. São Paulo: Pioneira, 1995.

Por Ricardo de Moura Borges ( professor de filosofia).



A presente obra apresenta as transformações sociais existentes a partir do início da modernidade, justificando o surgimento do trabalho e suas implicações frente as vertentes da hegemonia predominante que passa a adquirir rupturas, desde o processo de fragmentação com o surgimento do protestantismo na Europa. Publicada no ano de 1905 encontramos uma relação entre condutas religiosas e política. A obra está dividida em: I O problema sendo subdividido nos seguintes tópicos: a) filiação Religiosa e Estratificação Social; b) O “Espírito” do Capitalismo; e c) A Concepção de Vocação de Lutero; tarefa da investigação. II A Ética Vocacional do Protestantismo Acético, sendo subdivido nos seguintes temas: Fundamentos Religiosos do Ascetismo Laico: a) o Calvinismo; b) o Pietismo; c) O Metodismo; d) As seitas batistas; e por fim, Ascese e o Espírito do Capitalismo. Terminando definitivamente com Notas do autor e um índice reminissivo.
Entender a proposta de Max Weber sobre a presente obra em destaque nos faz refletir sobre seu conceito ou abstração da realidade a partir de pontos subjetivos, tendo em vistas que o ser humano para o autor não pode abstrair a concretude do todo, mas fragmentos daquilo que se apresenta a partir da realidade demonstrada. Parece kantiana a reflexão, contudo percebemos como a fundamentação fenomenológica faz parte de seu método ou proposição investigativa. A realidade que é desprovida de sentido, faz-se necessário portanto que o sujeito de sentido a realidade externa. Também aqui entendemos que sua proposta acabou influenciando a perspectiva filosófica existencialista, onde, por exemplo, temos Camus com a seguinte máxima “A vida não tem sentido, cabe o sujeito dar sentido a sua própria existência”.
Enfim, temos uma interessante abordagem na introdução dessa edição da Biblioteca Pioneira de Ciências Sociais que reafirma o pensamento do autor sobre a hegemonia da razão na região ocidental, dado de “um desenvolvimento universal, em seu valor e significado”. E assim perpassamos pelo entendimento dos conceitos criados pelo autor para entendermos a lógica do capitalismo frente ao avanço do protestantismo, como destaque de que em sua análise sociológica percebemos que todos os países de cunho protestante, tenderam a desenvolver mais intensamente o novo sistema que se impunha frente as mudanças sociais da modernidade, tendo destaque a linha calvinista que “ ao que parece, das mais fortes, inclusive na Alemanha e a religião “ reformada” mais do que outras, parece ter promovido o desenvolvimento do espírito do capitalismo”.
É interessante destacar que encontramos a reflexão sobre a participação dos protestantes nos postos mais elevados de trabalho, o que mostra um fato até então contraditório por causa do pensamento hegemônico tradicional, que passa a ser aliado, ou seja, temos a relação entre religiosidade capitalismo. O tal conceito de trabalho que era justificado como um castigo de Deus, associado aos conceitos gregos e de outras civilizações como algo penoso, lembramos do tripallium, instrumento de tortura do qual derivou o nome trabalho, e que sobre a perspectiva do protestantismo nascente, principalmente do calvinismo, entendemos que aquele que trabalha é abençoado pelo Senhor. Claro que existem as diferenças, tendo em vista que o capitalista procura desenfreadamente o lucro para garantir a ostentação dos bens adquiridos, ou seja da riqueza, já o protestante procura trabalhar sempre mais para ser abençoado pelo Senhor, contudo deve viver na frugalidade e de forma humilde sem apresentar as riquezas de forma excepcional ou estrambólica. Assim, forma-se uma nova ética, ou seja, um ethos que forma um jeito de ser e de viver numa sociedade especifica.
Tanto o protestante quanto o capitalista tem algo em comum: uma vida em sociedade que seja baseada fundamentalmente no trabalho e no lucro. Para o protestante deve-se viver na perspectiva de que o trabalho nos moldes do espirito de salvação divina, e para o capitalista deve-se viver nos moldes de obtenção desenfreado do lucro. Um elemento interessante é a doutrina da predestinação que vai ganhando corpo, no sentido que é o sujeito que sente a presença do Senhor, como escolhido, e tendo em vista que se for abençoado materialmente, pelo seu esforço do trabalho, tem a confirmação da salvação do Senhor.
O trabalho acaba ganhando um fim em si mesmo. A sua finalidade não necessariamente está no salário que o sujeito quer ganhar mas, no exercício de uma atividade digna (se você não tem trabalho você não é digno), e moralmente aceita. Numa sociedade em constante transformação marcada pelo desenvolvimento constante encontramos a educação como elemento fundante que passa a ser a mola propulsora para a fundamentação social do pensamento capitalista.
Temos dessa forma, o processo religioso (protestante) e a educação que formam o indivíduo em um jeito de ser e de viver que dão bases solidas para o espírito do capitalismo. Pois o capitalismo valoriza o trabalho como a base de organização e funcionamento da sociedade. Desse modo, entendemos na perspectiva weberiana de que o espirito do capitalismo moderno, está fundamentado numa diferenciação dos sujeitos empreendedor do trabalhador protestante e do empreendedor da modernidade. Ambos tem em mente que o trabalho é algo absoluto, onde para o empreendedor protestante seu espírito está moldado na busca de modéstia de suas atitudes, enquanto o empreendedor moderno busca o reconhecimento social.
Na perspectiva weberiana a ação social, que é de cunho fenomenológico está configurada por vários fatores, dentre os quais destacamos: a ação afetiva, onde o sujeito é impulsionado por afetos ou estados emocionais. Por exemplo, quando recebemos um elogio ou uma crítica (principalmente não construtiva de alguém), levando ou a atração ou a repulsa. Diferentemente dos outros sociólogos clássicos, encontramos em Weber um poder muito grande da subjetividade do sujeito, mesmo estando imbuído em uma sociedade marcada pelo materialismo histórico (Marx), e do fato social (Durkheim). A ação racional baseada ou orientada (direcionada) a fins: o sujeito projeta uma finalidade a ser obtida, então planeja, calcula. Por exemplo, um estudante do curso de mestrado profissional em sociologia, traça metas, planos e objetivos para poder encerrá-lo com êxito. A ação racional relacionada a valores: mesmo sendo racional, o sujeito move-se de acordo com valores encontrados ou em um grupo social, ou nas instituições encontradas. A exemplo, alguém pode defender um partido político x ou y, mesmo que exista corrupção, fraude ou escando, mas o sujeito pode muito bem movido pelos valores, pertencentes a construção do partido, alegar que quem cometeu determinada infração foram os sujeitos e não afeta os valores intrínsecos ao partido. Outro exemplo, poderia ser o time de futebol especifico que move multidões em uma partida. Por fim, temos a ação tradicional, onde somos movidos por aquilo que aprendemos da cultura herdada de gerações antigas: “sempre foi assim, portanto, agirei assim”, a forma de se vestir, os comportamentos nas instituições, por exemplo, a forma de fileiras nas escolas em sala de aula, etc.
Merece destaque também a questão do ascetismo religioso, como vimos acima, o protestante, por exemplo, mesmo provido de muitos bens materiais, vê e sente o trabalho como objeto total de vida, mas o seu modo de vida deve ser marcado pela austeridade.
No processo de industrialização e desenvolvimento da sociedade capitalista aparecem os meios burocráticos, onde a complexidade nas relações sociais aumenta. Essa burocratização está relacionada a um processo de racionalização onde o Estado Moderno coloca-se como meio de garantir a “legalidade”, estabelecendo leis, normas e punições a aqueles que não cumprirem essa legalidade. O problema que a racionalização da vida moderna, causa um desencantamento do mundo, onde o sujeito agora movido por objetivos e vendo o trabalho como uma vocação necessária, perde o encantamento magico do mundo, visto e vivido pelos sujeitos na idade média. Essa mola propulsora do trabalho como uma vocação acarreta necessariamente ao racionalismo econômico, onde como vimos, o racional é movido a fins capitalistas.
 Nos encontramos na próxima resenha de livros, pois Ler é o Caminho!