quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

Livros que li no ano de 2020

Estou disponibilizando a lista de livros que li neste ano. Um ano cheio de atividades, encontros e desencontros, onde proporcionaram muitos aprendizados. É nos desafios onde crescemos e encontramos a oportunidade de exercermos a excelência. Basta clicar em Livros que li no ano de 2020 e acompanhe as referências bibliográficas. Destaco que o fato de ter lido essas obras não me faz mais orgulhoso em nada, mas na verdade abre-se a possiblidade da humildade em reler estas obras e ler muitas outras no ano de 2021.

terça-feira, 1 de dezembro de 2020

Jornal O Corujinha - 30ª edição - Novembro de 2020 - Edição Comemorativa

 

Orgulhosamente apresentamos a 30ª edição do Jornal O Corujinha. 
Para acessá-lo basta clicar em Jornal O Corujinha - 30ª edição - Novembro de 2020e boa leitura. 
 Nos encontramos na próxima edição. Até lá!

domingo, 1 de novembro de 2020

Jornal O Corujinha 29ª edição - Outubro 2020



Orgulhosamente apresentamos a 29ª edição do Jornal O Corujinha. 
Para acessá-lo basta clicar em Jornal O Corujinha 29ª edição - Outubro 2020  e boa leitura. Nos encontramos na próxima edição. Até lá! 

quinta-feira, 1 de outubro de 2020

Jornal O Corujinha - 28ª edição - Setembro de 2020

Orgulhosamente apresentamos a 28ª edição do Jornal O Corujinha!

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Nos encontramos na próxima edição. 

Até lá!

terça-feira, 1 de setembro de 2020

Jornal O Corujinha - 27ª edição - Agosto de 2020


Orgulhosamente apresentamos a 27ª edição do Jornal O Corujinha. 
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sábado, 1 de agosto de 2020

Jornal O Corujinha 26ª edição - Julho 2020


Orgulhosamente apresentamos a 26 ª edição do Jornal O Corujinha. 
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quinta-feira, 30 de julho de 2020

Um Caminho Percorrido - Reflexões Sociológicas



   Uma trajetória cheia de desafios. Há dois anos atrás ao ingressar no Programa de mestrado, percebi que as dificuldades enfrentadas tornaram-se alegrias e momentos ímpares de crescimento profissional e pessoal. Destaco que como professor temporário do estado não me foi viabilizado afastamento para o mestrado, sendo que o horário de trabalho contemplava dois dias na semana, a saber segunda e quinta feira. Portanto, o salário de 856 reais foi divido para custear uma professora para ministrar as aulas das quintas feiras. 
   Outro fator além dos gastos pessoais a ser destacado foi o apoio dos Frades Franciscanos em Sobral-CE, dos quais sou muito grato ao me oferecerem hospedagem semana após semana. Também as experiências de conhecer a cidade, o teatro, as igrejas, a cultura e a forma de se trabalhar dos meus colegas mestrandos me proporcionou um amadurecimento enorme.
    Participar da Escola como um professor mediador e pesquisador foi de fundamental importância para perceber o quanto a sociologia está presente em nossas vidas. De forma bem rasa e clara, sociologia nada mais é do que estudo da sociedade. E quando partimos do cotidiano, das impressões que temos, agregado aos teóricos que encontramos nos livros, percebemos que o mestrado ganha sentido e significado. Não é apenas prática, nem muito menos apenas teoria, mas sim reflexões teórico práticas desde o processo formativo na universidade com o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação a Docência ( no curso de História na UFPI), assim como os estudos de caso e estágios no curso de Sociologia ( UNINTER), como as experiências pastorais no curso de Filosofia ( ICESPI). 
   Não há como dissociar, mas sim como perceber que crescemos a partir de nossas várias experiências, quer sejam positivas, quanto negativas. Estas  ultimas nos ajudam a refletir e repensar os caminhos e romper com perspectivas outras.  Concluir de forma exitosa é um prazer imensurável, tendo em vista que a experiência do Jornal Escolar galgou vários caminhos, perspectivas e chegou ao meio universitário no trabalho de Intervenção Pedagógica com uma infindável riqueza. Espero que as edições sejam propostas para futuros trabalhos que podem ser desenvolvidos por outros pesquisadores ( e quem sabe estudantes que estão ou passaram pela escola).
   Um momento de agradecer a todos os que contribuíram direta e indiretamente para a construção deste profeto que culminou em uma aprendizagem significativa e criativa. A dissertação de mestrado foi apenas uma demonstração das atividades realizas de cunho teórico prático. 

segunda-feira, 27 de julho de 2020

HISTÓRIA E MEMÓRIA DA ESCOLA PEDRO EVANGELISTA CAMINHA: 50 ANOS


Por: Ricardo de Moura Borges

RESUMO: A presente pesquisa partiu do interesse de jovens estudantes do ensino médio de escola pública sobre a história do ambiente escolar. A partir da feira de projetos os alunos começaram uma investigação e descobriram que no ano de 2019 a referida instituição estava completando 50 anos de existência. Primeiramente por uma investigação documental, e posteriormente debruçaram-se sobre a história a partir da memória daqueles que vivenciaram a construção da referida escola, assim como relato de um dos primeiros professores e familiares. O foco da pesquisa, portanto, pautou-se por meio da história oral, elucidando a importância e riqueza do construir a história por meio de narrativas. Sob orientação de professores mediadores a pesquisa foi-se construindo por meio de achados de documentos, analise do Projeto Político da Escola, placa de reforma da escola, relatos orais dos sujeitos entrevistados, por exemplo, a família de Pedro Evangelista Caminha, sujeito que foi homenageado com o nome da escola, culminando na sistematização da experiência na exposição deste artigo. Dessa forma, foi salutar desenvolver uma pesquisa um pouco mais aprofundada a partir de relatos de memória de antigos professores, funcionários, ex-alunos e parentes do Pedro Evangelista Caminha.
Palavras-chave: Escola. História e Memória. Sociologia. 50 anos.
ABSTRACT: This research was based on the interest of young high school students from public schools on the history of the school environment. From the project fair, the students did an investigation and found that, in 2019, the institution was completed with 50 years of existence. Firstly through a documentary investigation, and later broken down into a story based on the memory of those who experienced the construction of the teaching school, as well as related to one of the first teachers and family members. The focus of the research, therefore, shows through oral history, elucidating the importance and richness of building a story through narratives. Under the guidance of mediating teachers, a survey was carried out using found documents, analyze the School's Political Project, school reform board, oral reports of the interviewed students, for example, a family of Pedro Evangelista Caminha, who was honored with the name of the school, culminating in the systematization of the experience in the presentation of this article. Thus, a little more in-depth research was carried out based on reports from the memory of former teachers, staff, alumni and parents of Pedro Evangelista Caminha.
Keywords: School. History and Memory. Sociology. 50 years.
Introdução

Conhecer a história da escola Pedro Evangelista Caminha foi um desafio interessante e motivador. Primeiro, porque infelizmente a mesma não possui documentos físicos com datas e fatos precisos sobre sua construção. Segundo, porque o estudante como pesquisador se sente motivado para buscar os relatos de experiência daqueles que fizeram parte da referida instituição, tanto na condição de ex-alunos, como de professores ou funcionários.
Partindo desta perspectiva de pesquisa, optamos por entender um pouco da história e trajetória da Escola Pedro Evangelista Caminha pelos relatos de memória dos sujeitos que se fizeram construtores do caminho educacional ao longo destes 50 anos. Infelizmente um dos primeiros professores da escola já não se encontra em nosso meio. Os pesquisadores foram atrás de seus familiares e encontraram o segundo professor da escola.
Este trabalho teve início a partir da realização de uma feira de projetos no ano de 2019, momento em que os professores foram divididos por turmas e ficaram responsáveis por desenvolverem projetos que, na culminância, seriam socializados no ambiente escolar. A feira de projetos é uma maneira de dar respostas à sociedade onde a escola está inserida, tendo em vista que os estudantes demonstram suas atividades práticas por meio da pesquisa e do estudo para seus pais, familiares e visitantes da escola.
            Responsáveis pelo 3º ano B, ficaram dois professores José Kelson, professor de Matemática e Educação Física e o professor de História e Sociologia Ricardo de Moura Borges. Ao serem designados, inicialmente propuseram fazer um diagnóstico da turma, buscando evidenciar as habilidades por meio do desejo daquilo que os mesmos queriam trabalhar. Assim, em um primeiro momento, a turma foi dividida em grupos e cada grupo deliberou sobre diversas possibilidades, sugerindo temas para desenvolver.
            Um dos grupos, motivado por perguntas que inicialmente pareciam ser banais, tais como: “De onde veio o nome Pedro Evangelista Caminha para homenagear esta escola? Quem foi Pedro Evangelista? Alguém conhece a história da escola?”; foram o mote que culminaria em uma pesquisa mais detalhada e rica sobre a instituição que faz parte da comunidade de Geminiano – PI.
             O presente artigo parte de uma experiência vivenciada no ambiente escolar, procurando demonstrar como a pesquisa de campo se faz de fundamental importância para a construção do conhecimento histórico sobre a escola Pedro Evangelista Caminha por meio dos relatos de memória. Não é nossa intenção esgotar toda a história da escola, mas demonstrar o quanto a pesquisa é importante e como os estudantes da escola pública desempenharam um papel ímpar para a construção de um saber histórico, sociológico e interdisciplinar, tão importante e fundamental em nossos dias. Assim como demonstrar o papel fundamental que o professor mediador do século XXI tem ao aproximar o aluno ao conhecimento do mundo.
O artigo está dividido da seguinte forma: primeiramente faremos uma identificação dos sujeitos da pesquisa, evidenciando o papel fundamental do que é ser estudante e professor mediador no século XXI. Em um segundo momento, demonstraremos como se deu o processo de pesquisa e a importância da história oral para a construção da história por meio da memória dos sujeitos. Por fim, apresentaremos os dados coletados, pontuando um pouco da história da escola Pedro Evangelista Caminha, que celebrou 50 anos de sua existência no ano de 2019.

1. Sujeitos da Pesquisa: Buscando entender a História da escola: Professor mediador e estudante do século XXI
Com o avanço das tecnologias digitais, vez por outra ouvimos falar de educação 4.0. Vemos que, a partir da quarta revolução industrial, a indústria 4.0, segundo SANTOS (2018, p.112), “é um dos termos utilizados para descrever a estratégia de alta tecnologia promovida pelo governo alemão que está sendo implementada pela indústria”, em que o estudante passa a ser o construtor do seu conhecimento, por meio de um protagonismo juvenil, para o qual a escola deve desempenhar um papel fundamental de instigar a criticidade e a autonomia do sujeito.
É mister destacarmos que muitas vezes se procura conhecer o que está distante da realidade do aluno. No entanto, observamos que o descortinar sobre a história da escola, por meio da pesquisa, fez com que entendêssemos a necessidade de uma investigação próxima da vida da realidade escolar. Demo (1995, p.53) propõe que, além do aspecto “metodológico da construção do conhecimento, ou seja, como virtude, forma cientifica”, é de fundamental importância olhar para a pesquisa com base nas novas visões de mundo na escola. Como nos diz Grochoska:
Em seu aspecto educativo emancipatório; como forma de atitude cotidiana; em sua viabilidade em qualquer momento nos espaços da escola e por meio de qualquer ator de processo educativo; em relação interligada com uma proposta de conhecimento inovador (GROCHOSKA, 2014, p.132).

O estudante questionador, que tudo quer saber, não se enquadra mais no passivo, que apenas recebe conteúdos prontos e acabados, que, muitas vezes, são conteúdos distantes da realidade do sujeito. É interessante saber da história da Grécia antiga ou do Egito, mas dar sentido para essa história, por meio de significados para a vida do sujeito atual, demonstrando as contribuições reais e visíveis da importância que estes povos possuem, se torna mais eficiente e eficaz no processo educativo. Sobre esta problematização no ensino de história, o sociólogo e historiador é bem enfático ao dizer:
A questão, em suma, não é mais saber se Jesus foi crucificado, depois ressuscitado. O que agora se trata de compreender é como é possível que tantos homens ao nosso redor creiam na Crucificação e na sua Ressurreição. Ora, a fidelidade a uma crença apenas, como toda evidencia, um dos aspectos da vida geral do grupo no qual essa característica se manifesta. Ela se situa no nó onde se misturam um punhado de traços convergentes, seja de estrutura social, seja de mentalidade. Ela coloca, em suma todo um problema de clima humano.  (BLOC, 2001, p.58)

A criticidade do estudante não é apenas uma crítica vazia, mas construída e embasada em um sentido transformador, tendo em vista que para transformar é necessário primeiramente tomar consciência da sua realidade social. Este aspecto está em compreender a nova história não por meio de uma linearidade evolutiva, mas por meio da compreensão das diversas mudanças que estão acontecendo, como nos explica Gonçalves (2012, p.19):
Na nova proposição, esses pressupostos são questionados, porque não necessariamente ocorre uma evolução – termo pelo qual se compreende que houve sempre uma melhora – mas sim, mudanças, permanências e ou transformações, por exemplo. Também não se reconhece um ideal civilizatório, uma vez que cada sociedade tem uma trajetória e especificidades próprias, e não precisamos almejar semelhança com nenhuma outra sociedade. Assim, as noções de tempo e espaço são fundamentais para a compreensão de cada sociedade e cultura, e outras noções, além da de sucessão, como as de simultaneidade, de permanência, de mudança e de transformação, são valorizadas.

Os professores da escola, comprometidos com o desempenho educacional, promoveram uma atividade socializadora na feira de projeto escolar em 2019, com o apoio da diretora Maria Inês da Costa, que se fez sempre presente desde o processo de idealização dos projetos particulares de cada grupo até a execução do mesmo. Vale, nas páginas introdutórias, um agradecimento do conjunto de pesquisadores para o surgimento desta pesquisa, pois esta, na função de pedagoga, cumpre seu papel de fomentar o ensino e a pesquisa, assim como todos os professores que contribuíram de forma direta e indireta para a concretização do referido projeto.
A pesquisa cumpre esse papel de fomentar o diálogo, a criticidade e a criatividade.  Portanto, para além de meras datas e fatos, o foco dessa pesquisa é evidenciar as relações de compreensão do sujeito contemporâneo sobre o espaço produzido pela escola. Sobre este aspecto da importância de se fazer pesquisa destacamos:
A pesquisa precisa entrar na sala de aula e estabelecer-se não para dizer o que o professor deve fazer, mas para fazê-lo entender melhor o que está acontecendo ali. Os professores, ao realizarem pesquisa, aprendem processos de produção de conhecimento, de questionamento de sua própria prática, para o desenvolvimento de uma atitude investigativa, criativa e comprometida (CORTELAZZO; ROMANOWSKI, 2007, p. 20 – 21).

Os estudantes pesquisadores, pertencentes ao terceiro ano do ensino médio, almejaram conhecer a própria história da escola em que estão inseridos, todos. Partindo dessa premissa, logo surgiram alguns questionamentos, tais como: quem foi o Pedro Evangelista Caminha? Onde podemos encontrar informações sobre sua história? Quais são os documentos escritos sobre a fundação da escola e onde estão? Quando a escola iniciou o seu processo formativo?
Estas primeiras indagações foram feitas após a apresentação da feira de projetos em sala de aula, que posteriormente foram levadas para a direção da escola, onde, por sugestão de professores, lembrou-se que a esposa de um professor da escola havia feito um trabalho acadêmico sobre, no qual foi pontuada em algum lugar uma data de fundação da escola.
            Por meio da pesquisa de campo os alunos tiveram o prazer de encontrar nas mãos da pedagoga, o trabalho acadêmico produzido por dona Angelita Teresa da Conceição Moura, que é a esposa do Professor de Física Edmilson Borges. Neste documento, que é uma monografia (TCC), está registrado: “A Escola Estadual Pedro Evangelista Caminha foi fundada no ano de 1969 com o nome de Escola Reunida São Pedro, por muito tempo funcionou apenas com as séries iniciais, nos turnos matutinos e vespertinos” (MOURA, p. 32, sem data).
            Com esse relato, os alunos entraram em contato com a direção e procuraram mais documentos escritos, mas infelizmente não encontraram arquivos físicos. Contudo, com o espírito inquieto e o desejo de conhecer a história da escola, os mesmos foram orientados pelos professores mediadores José Kelson (professor de matemática e educação física) e Ricardo de Moura Borges (professor de história), para realizarem uma pesquisa de campo.
      2. Caminhos da pesquisa: a importância da história oral
            Partimos com o interesse de descobrir sobre a história da escola por meio de relatos de experiência daqueles que já passaram por ela em tempos mais antigos. Daí surgiu a necessidade de trabalharmos a história oral. Como aponta Silva sobre a importância de se trabalhar a História por meio da memória dos sujeitos: “A memória se transformou então, para muitos, no verdadeiro objeto da História Oral, e os historiadores começaram a considerar que, a partir do entendimento do processo de formação da memória histórica, poderiam compreender como os indivíduos vinculam passado e presente” (SILVA, 2010, p. 186).
Por meio de uma pesquisa qualitativa onde foram recolhidas entrevistas realizadas com os parentes de Pedro Evangelista Caminha, percebemos que a história oral é de fundamental importância, tendo em vista que os documentos orais, imagéticos, dentre outros são importantes ferramentas, como nos aponta o historiador Thompson (1998, p.337), ao dizer que “a história oral devolve a história às pessoas em suas próprias palavras. E ao lhes dar um passado, ajuda-as também a caminhar para um futuro construído por elas mesmas”. Ou seja, por meio de relatos (memória), é possível nos aproximarmos da história factual. Mas o que seria a história? Seria o estudo do homem no tempo, ou seja, nós que estamos no tempo presente, indagamos sobre os acontecimentos ocorridos no passado e construímos uma interpretação da história.
Na  pesquisa de cunho qualitativo destacamos, de acordo com Bogdan e Biken (1994),  a percepção de meios descritivos do objeto de estudo, salientado a visão de mundo dos sujeitos:
[...] um campo que era anteriormente dominado pelas questões da mensuração, definições operacionais, variáveis, teste de hipóteses e estatística alargou-se para contemplar uma metodologia de investigação que enfatiza a descrição, a indução, a teoria  fundamentada e o estudo das percepções pessoais. Designamos esta abordagem por “Investigação Qualitativa” (BOGDAN E BIKLEN, 1994, p.11).

Por isso verificamos a abordagem de investigação qualitativa , onde podemos demonstrar os metodos utilizados para entendermos o processo  de busca de conhecimento , sendo que essa maneira coloca uma ferramenta de uso demonstrativo . as  buscas e entrevistas foram significativas tanto para o processo de ensino aprendizagem dos estudantes, como para os professores  tendo em vista que trata-se da história e memória da   escola em questão.
Optar por varias fontes, como orais e imagéticas nos possibilita uma melhor contextualização para a pesquisa abordada. Assim, a pesquisa qualitativa demonstra que o investigador se preocupe compreender de forma mais ampla os eventos que estão sendo ivestigados.  O aspecto da descrição da escola nos remete à importância deste ato, como próprio de característica do sujeito que vê, sente e indaga o meio em que está inserido. Como nos pontua:
[...] o olhar percorre a rua como se fossem páginas escritas: a cidade diz tudo o que você deve pensar, faz você repetir o discurso, e, enquanto você acredita estar visitando Tamara, não faz nada, além de registrar os nomes com os quais ela define a si própria e todas as suas partes [...] (CALVINO, 1990, p.18).

            No entanto, descrever minuciosamente a escola e como ela funciona não é foco desta pesquisa, mas sim como ela é descrita por meio da percepção dos que relataram em sua memória, parcos documentos encontrados e de como estes estudantes hodiernos a compreendem. Tudo isso nos remete à afirmação de que:
É fundamental o exame mais acurado do processo histórico no enredo da vida local, até pela constatação como que banal de que a vida social tem seu protagonismo fático nas ruas, becos e quintais, tribos e alpendres, roças e caminhos por onde flui o viver real das gentes de toda era. (SANTOS NETO, In: SANTOS, 2007, p. 13).

O que nos chamou a atenção foi o fato de a escola ter surgido no ano de 1969, como atesta o documento acima, sendo que neste presente ano ela completaria 50 anos de existência. Mas seria uma data confiável? Partimos do pressuposto de que quem escreve um TCC acadêmico parte de uma pesquisa minuciosa, investigativa e rigorosa. Mesmo assim, o documento apresenta apenas o ano, e precisaríamos buscar o dia e mês da inauguração da escola.
Além das parcas fontes escritas, utilizamos o uso da história oral neste processo de investigação, tendo em vista que “a história oral de um local é tecida e retecida continuamente. O depoente, no caso, é o senhor do tempo, refazendo o que diz sobre o passado da cidade cada vez que discorre sobre ele (PESAVENTO, 2007, p. 20).
            E a história oral o que é? De acordo com o Dicionário de conceitos Históricos, encontramos a seguinte definição:

O século XX viu florescer um período de grandes mudanças mundiais. O desenvolvimento da tecnologia transformou a História, acelerando os eventos. Da mesma forma, a tecnologia modificou a própria tecnologia modificou a própria produção historiográfica, trazendo a cena o gravador como instrumento e produzindo a História Oral, uma metodologia histórica que trabalha com depoimentos orais, realizando entrevistas a partir das quais o historiador constrói suas análises. (SILVA, 2010, p. 186)
 E no site da fundação Getúlio Vargas encontramos a seguinte definição:
A história oral é uma metodologia de pesquisa que consiste em realizar entrevistas gravadas com pessoas que podem testemunhar sobre acontecimentos, conjunturas, instituições, modos de vida ou outros aspectos da história contemporânea. Começou a ser utilizada nos anos 1950, após a invenção do gravador, nos Estados Unidos, na Europa e no México, e desde então difundiu-se bastante. Ganhou também cada vez mais adeptos, ampliando-se o intercâmbio entre os que a praticam: historiadores, antropólogos, cientistas políticos, sociólogos, pedagogos, teóricos da literatura, psicólogos e outros.

Dessa maneira, Thompson, historiador e pesquisador inglês, que é conhecido por inumeros trabalhos a partir da História Oral pontua que:
Há algumas qualidades que o entrevistador bem-sucedido deve possuir: interesse e respeito pelos outros como pessoas e flexibilidade nas reações em relação a eles; capacidade de demonstrar compreensão e simpatia pela opinião deles; e, acima de tudo, disposição para ficar calado e escutar (THOMPSON, 1998, p. 254).

Bom Meihy (2005), pesquisador brasileiro que escreveu trabalhos por meio da História Oral, nos pontua que  o trabalho com a memória coloca  aos sujeitos pesquisados uma outra compreensão do período histórico,
A presença do passado no presente imediato das pessoas é a razão de ser da história oral. Nessa medida, a história oral não só oferece uma mudança no conceito de história, mas, mais do que isso, garante sentido social à vida de depoentes e leitores, que passam a entender a seqüência histórica e se sentir parte do contexto em que vivem (BOM MEIHY, 2005, p.19).

Dentro das ciencias humans, vemos em Portelli, a importancia de se trabalhar com a História Oral,
[...] a história oral é uma forma específica de discurso: história evoca uma narrativa do passado, oral indica um meio de expressão. No desenvolvimento da história oral como um campo de estudo, muita atenção tem sido dedicada às suas dimensões narrativa e linguística (2001, p. 10).


            Portanto, a relevância se dá pelo fato de que esta reflexão sobre a história da escola por meio da memória promove um entendimento de práticas sociais cotidianas desenvolvidas na realidade escolar. O próprio método é desenvolvido e articulado por sujeitos que pertencem à região da cidade de Geminiano–PI. Desta feita, entender a escola é esmiunçar e refletir sobre a cidade na qual a mesma está localizada. Como nos afirma:
Quanto mais o espaço exterior se uniformiza na cidade contemporânea e se torna constrangedor pela distância dos trajetos cotidianos, com sua sinalização obrigatória, seus danos, seus medos reais ou imaginários, mais o espaço próprio [grifo nosso, pois é entendido como a Escola Pedro Evangelista Caminha em Geminiano – PI] se restringe e se valoriza como lugar onde a gente se encontra enfim seguro, território pessoal e privado onde se inventam “modos de fazer” que tomam valor definitório: “Veja só como é que eu faço isso... Na minha família, temos o hábito de...”. Coisa estranha, quanto mais exíguo se torna o espaço próprio, mas ele é entulhado de aparelhos e de objetos. (CERTEAU, 2008, p. 206).

            Compartilhamos que conhecer a realidade escolar local, se faz necessário para entendemos de forma mais significativa o mundo em que vivemos, pois “o conhecimento da história, em particular o da história local de cada lugar onde é desenvolvido o viver comunitário, é de uma necessidade do jogo bom para a cidadania ativa.” (SANTOS NETO, In: SANTOS, 2017, p.14). Passemos agora para uma localização da escola atualmente, apontando algumas reflexões e descobertas trazidas pelos pesquisadores.

4 – História e Memória da escola – resultados da pesquisa
Atualmente a Escola Estadual Pedro Evangelista Caminha fica situada à Avenida Brasil, número 197, no bairro centro, CEP 64613 - 000, localizada na cidade de Geminiano, no estado do Piauí. Esta escola oferta atendimento no Ensino Médio, nos períodos matutino e vespertino, de forma regular, e no período noturno, funciona a Educação de Jovens e Adultos – EJA. O contato com a escola pode ser realizado por meio e-mail: escolapec@gmail.com
A Escola Estadual Pedro Evangelista Caminha, fundada em 1969, na cidade de Geminiano, não possui um documento que conte a sua história de fundação, hino da escola e história do sujeito Pedro Evangelista Caminha, que deu nome à escola. Encontramos a seguinte descrição:
A Escola Estadual Pedro Evangelista Caminha que faz parte da rede estadual de ensino localizada na cede do município de Geminiano-PI, uma área constituída de 41, 50 x 37,40 m² e como única escola do Ensino Médio na cidade tem procurado resolver os problemas, apesar da parca estrutura física que deixa muito a desejar. Ciente de algumas dificuldades que a escola enfrenta no tocante ao ensino aprendizagem, o corpo docente se entrega inteiramente com os administradores e tenta a cada dia amenizar tais problemas, de modo que, tem investido no processo de ensino aprendizagem em busca de excelente qualidade de ensino. (PPP 2018, p. 07).

            Entendemos que não é função do Projeto Político Pedagógico descrever a história da escola no seu sentido linear, mas apresentar o modelo de educação que se visa trabalhar durante o ano letivo. Dentre muitas observações pertinentes, trazemos a discussão da construção do mesmo, que infelizmente é produzido por um mínimo número de participantes, ficando muitas vezes engavetado, com pouco uso ou quase sempre investigado. Os estudantes, ao promoverem uma investigação na escola, buscando outros documentos sobre a história da mesma, ficaram admirados ao saber do Projeto Político Pedagógico e de sua importância para a comunidade escolar.
            A visita à prefeitura de Picos-PI foi necessária para encontrar algum documento referente que fizesse menção ao Pedro Evangelista Caminha. Desta maneira,  tivemos acesso aos seguintes documentos: certidão de casamento, 8ª legislatura do Município de Picos – PI, onde verificamos a posse do vereador em 30 de janeiro de 1973 a 31 de janeiro de 1977, o atestado de óbito, datando de 11 de maio de 1976, como vítima de Neoplasia Pulmonar, a certidão de óbito indicando as causas da morte em letras manuais, um documento da Lei nº 1008, que concede pensão a viúva, datado de 26 de maio de 1976, o diploma de vereador datado de 08 de janeiro de 1973, revelando que Pedro Evangelista foi eleito pela Aliança Renovadora Nacional, com 592 votos.
            Encontramos também um documento da Lei nº 21 de 1971, pela qual foi criado o município de “Geminiano”. A cidade de Geminiano foi emancipada apenas décadas mais tarde, mas verifica-se que anteriormente pertencente ao município de Picos, já recebia este nome, que provavelmente é em homenagem a um dos primeiros moradores desta terra. Antes era conhecida por Varzinha.
            Também observamos que o povoado ora criado com o nome de Geminiano, em 05 de novembro de 1971, compreende os lugares de Milhãs, Ambrósio, Onça, Cacimbinha, Baixio da Cacimbinha, Grossos, Barrocão e Varzinha.  Como nos pontua sua neta Mayara de Moura Martins, 2019:
Aqui temos o projeto de lei de 1971 quando ele era suplente onde foi criado o povoado de Geminiano, então além da criação da primeira escola daqui, temos a criação do Povoado de Geminiano, onde ele era vereador (suplente de vereador) em Picos então seria uma das benfeitorias que ele fez para o município de Geminiano. Que além, dele ser o primeiro político da região que ajudou muita gente, onde hoje os mais velhos que conhecem a história dele que sabe que ele era político da região. Ele que criou o povoado de Geminiano, como o de Cândido Borges que é o Muquém, Milhãs, dentre outros né. Então aqui a gente vê que apesar de pouco tempo na vida política ele deixou bem feitos significativos para nosso município. E levando o nome da Escola Estadual de Geminiano, Pedro Evangelista Caminha, nós temos também essa avenida principal que é em homenagem a ele, por ele ter sido o primeiro político da nossa cidade. 

A escola recebeu esse nome em homenagem a um vereador que contribuiu para a construção da mesma, na década de 1960. Mas inicialmente a escola era conhecida como Escola Reunida São Pedro. Pedro Evangelista Caminha faleceu no dia 12 de maio de 1976, aos 50 anos de idade. Foi casado com Francisca Joaquina de Moura em 30 de agosto de 1955.
Mesmo não sendo empossado como vereador nos anos de construção da escola, os relatos demonstraram que Pedro era envolvido com os movimentos sociais locais como por exemplo, o de construção de escolas e construção de estradas Possuía uma vida pública respeitada onde como nos diz sua esposa Francisca de Moura Caminha, 2019: “Os que tinha direito ele dava os direito, os que não tinha se conformava pois ele só poderia dar direito a quem tinha”.
Possuía amizade política para construir e limpar estradas, dentre outros feitos. Como nos atesta seu filho Francisco Pedro Evangelista, 2019:
Papai nasceu em 1932, e com quatro anos de idade perdeu os pais. Ai ele foi vaqueiro, a primeira profissão dele foi vaqueiro da família Louzinho monteiro. De vaqueiro ele foi boiadeiro. Era da roça, ai se envolveu na política, se envolveu no ano de 1969. Foi a primeira vez que ele foi candidato. Ele se envolveu nesse período (mais ou menos nesse período). Ele ainda se envolveu antes ajudando um padrinho, o finado Joaquim Monteiro, que era padrinho dele.

            Teve dezessete filhos, sendo que oito estão vivos hoje, morando em Picos, Teresina e São Paulo. Da mesma forma que o vereador, a família está engajada nos serviços em prol da sociedade, como nos mostra o sua neta Mayara de Moura Martins, 2019, que é advogada do município de Geminiano.

Uma pessoa muito respeitada, honesta, trabalhador. Teve dezessete filhos mas sobreviveram só oito. E quatro moram aqui na cidade, um mora em São Paulo, outra mora em Teresina e tem minha mãe que mora em Picos. Então, a família está toda por aqui ainda, e a gente continua prestando serviço pra comunidade. Eu sou da época dele, e sou advogada do município agora, podendo colaborar com o pessoal daqui, da mesma forma que meu avô colaborou, da mesma forma que meu tio colaborou e colabora, certo.

Encontramos o diploma de vereador, que data de 08 de janeiro de 1973, sendo que o mesmo mobilizou a construção da escola anos anteriores ainda em suplência. Outras escolas e feitos, como a construção de estradas, foram encaminhados por ele. Nesse ano de 2019, a escola completou 50 anos de existência, de cuja história os alunos foram atrás a partir da memória dos primeiros professores e da família de Pedro.  Como nos diz sua neta Mayara de Moura Martins, 2019:
Então o que a gente pode levar em consideração, que foi um político que fez muito pela região. E hoje o colégio está fazendo 50 anos, né isso. Então esses 50 anos foi de muita luta dele e de mais outras pessoas também da região. Tem o posso perto do colégio de Joaozinho Monteiro e a caixa d’agua, que antes era mais visível. A questão é essa, que ele foi um dos enfrentantes da luta pra ser instalado o colégio aqui do Geminiano e hoje este colégio está fazendo 50 anos.

            Pedro Evangelista Caminha, foi um político que procurou o desenvolvimento da sua região, o seu filho atesta que seu pai era muito preocupado com a educação dos filhos, chegando a procurar meios de além de contratar professores para os mesmos, construir posteriormente colégios na região. Assim, seu filho Francisco Pedro Evangelista, 2019 nos diz:
Mas ele era sempre ligado ao estudo para os filhos. Ele pagava, professor particular, quando ele não tinha professor particular na casa dele, ele tinha na casa dos amigos, ai a gente ia estudar lá. Então, se ele viu que a população de Geminiano tinha alguns jovens querendo estudar e quando ele se envolveu na política a primeira coisa que ele achou de fazer foi colégio para que esse pessoal estudasse. Chegou a fazer três colégios, e não fez mais porque faleceu no período do mandato.

O interesse pela pesquisa de campo partiu quando os mesmos encontraram um TCC da esposa do professor Edmilson, que afirmava que a escola foi fundada em 1969. Ficaram maravilhados com os depoimentos, sendo o professor José Honório dos Santos (pai do professor Ernane) que foi o segundo professor desta escola, afirmou que a mesma teve seu término de construção em 1968, sendo que no ano de 1969 ele foi aluno e ingressou no trabalho docente no ano de 1970.
            Devido ao curto espaço e período de tempo até a amostra da primeira feira de projetos da escola, pudemos entrevistar a esposa do Pedro Evangelista Caminha, o professor José Honório dos Santos que foi um dos primeiros professores da escola, que iniciou seu trabalho no ano de 1970 e recolhemos, na câmara de vereadores de Picos-PI, documentos do vereador Pedro Evangelista Caminha (in memoriam), que faleceu em 1976, além dessas buscas, conversas informais com outros agentes e ex-agentes da escola, fundamentaram nossa investigação sobre a fundação da escola.
            No documento sobre o exercício de mandato de vereador de Picos encontramos que o seu mandato foi de 30 de janeiro de 1973 a 31 de janeiro de 1977, mas que a escola foi construída em um mandato de suplência, em anos anteriores. Esse fato foi confirmado tanto pela secretária que nos atendeu na prefeitura de Picos, como pela esposa e familiares de Pedro Evangelista Caminha, quando os entrevistamos.
            Tivemos todo o cuidado e rigor metodológico ao elaborar as perguntas, como documentar em áudio e vídeo os relatos de memória, procurando fazer perguntas abertas para não conduzir o entrevistado a respostas fechadas, mas para que o mesmo relatasse de forma ampla os acontecidos.
Sobre o terreno e os primeiros professores da escola encontramos em entrevista com os familiares de Pedro Evangelista Caminha, informações que ajudaram nas buscas  que poderiam nos relatar sobre a sua experiência na escola, assim como nos fornecer alguma data precisa.  Francisco Evangelista nos conta que:
A questão do terreno do colégio e do poço de Geminiano. O pessoal daqui era muito amigo dele, se dava muito bem, ele pediu e eles doaram. Foi Quinco Geminiano que doou o terreno. [...]. O primeiro professor foi Joaquim de Luís Teixeira e José Honório dos Santos, chamado por Zé de Tiago, foi um dos primeiros professores. Ai depois veio Marlinda, que é Marlinda Vieira de Araújo, ela veio de São José do Piauí, ela tinha uma leitura mais ou menos. Naquele tempo era pouca gente que tinha leitura pra ler.
           
            A constatação da data de construção da escola no ano de 1969, veio pelo depoimento do segundo professor da escola, José Honório (conhecido como Zé de Tiago, 2019 nos relata que:
“Na verdade [comecei] no ano de 1968, ainda na construção do colégio. E comecei a trabalhar como servente de pedreiro lá. Depois virei aluno da escola em 69 e em 70 já fui professor. Seu Joaquim Gonçalves Teixeira era o meu antecessor, mas era o primeiro professor contratado e eu fui o segundo, nós trabalhamos juntos durante quatro anos.”
Concluímos que a escola foi fundada no ano de 1969, e que as pesquisas sobre a história da escola não cessaram, mas que conseguimos documentar relatos de memória que consolidaram a pesquisa sobre a presente instituição de ensino.
Alguns meses após a pesquisa, e no fim do ano letivo, quando foi feita uma limpeza na escola, na cantina foi encontrada uma placa de ferro com alguns dados. Verificamos que a escola foi construída no governo de Helvídio Nunes de Barros, sendo reformada no ano de 1984, quando o governador da época era Dr. Hugo Napoleão do R. Neto.
O governo de Helvídio Nunes de Barros iniciou-se no ano de 1966 e foi até o ano de 1970. É mais uma evidência de que a construção da escola foi realmente dada no ano de 1969.  Sobre Helvídio Nunes de Barros, encontramos:
[...]Helvídio Nunes de Barros nasceu em Picos (PI) no dia 28 de setembro de 1925, filho de Joaquim Balduíno de Barros e de Isabel Nunes de Barros. A família tinha tradições políticas, merecendo destaque seus primos Tibério Barbosa Nunes, governador do Piauí (1962-1963); Petrônio Portela Nunes, governador (1963-1966), senador (1967-1979) e ministro da Justiça (1979-1980); Lucídio Portela Nunes, governador (1979-1983) e senador (1991-1999), e Elói Portela Nunes, senador (1998-).
[...]Fez os primeiros estudos no grupo escolar de sua cidade natal e o curso colegial no ginásio do Crato (CE) e no Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, então Distrito Federal. Bacharelou-se em ciências jurídicas e sociais pela Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro. [...]Em setembro de 1966 foi eleito governador pela Assembleia Legislativa do Piauí. Desenvolveu uma política de fortalecimento dos municípios e estimulou a construção de estradas. Em maio de 1970 passou o cargo ao vice-governador João Clímaco, para se candidatar ao Senado. [...] (Câmara dos Deputados).

            Conforme as pesquisas, pelas quais encontramos documentos, os relatos de entrevista, a placa que apareceu pós-pesquisa, nos aproximamos da realidade histórica da construção de uma escola que proporciona um enorme serviço social desde os tempos em que a cidade era um povoado pertencente ao município de Picos–PI. Procurar a história da escola por meio de seus sujeitos e trazer para a reflexão a construção da identidade do local vigente nos fez perceber que Geminiano vai construindo sua história por meio dos sujeitos que vivem e vivenciam suas práticas sociais, e a escola é um local que transcende o saber sistematizado e difundido nos livros didáticos, pois o verdadeiro conhecimento consolidado, vai se construindo pela percepção do tempo, do espaço e das narrativas históricas que vão pintando o cenário histórico.
            Ao mesmo tempo em que estudantes e professores saíram em busca de entender a história da escola, buscando suas raízes, estavam construindo a história social do tempo presente, quando a história nada mais é do que a construção do homem no tempo. A investigação, por meio dos encontros, discussões, planejamento de entrevistas, percepção das narrativas propiciou a construção de uma narrativa que estabelecesse a identidade do sujeito contemporâneo.
            A pesquisa foi organizada posteriormente pela equipe do Jornal Escolar que no Jornal O Corujinha fez a divulgação dos eventos promovidos por cada sala de pesquisa, juntamente com uma breve história sobre os 50 anos da Escola, evidenciando o quão importante é conhecer a história para tornar-nos sujeitos conscientes da realidade local em que habitamos.
Temos o intuito de dar continuidade à pesquisa e futuramente transformar em um artigo científico e deixar como fonte para futuras pesquisas, deixando um acervo das entrevistas disponível para os futuros pesquisadores enriquecerem mais ainda tal investigação historiográfica.

Para não concluir
            O referido tópico provocativo para uma não conclusão pretende demonstrar que a referida analise em busca da história da escola Pedro Evangelista Caminha não se exaure neste relato de experiência por meio deste artigo. Mas que abre caminhos para que possa haver outras pesquisas a partir desta que se pretendam a abarcar mais aspectos desta riqueza de história da escola.
            Procuramos evidenciar de forma breve o processo de construção do conhecimento histórico. Entendendo que a história é construída, daí a importância da sociologia para a compreensão desta construção. Pois esta pretende investigar a realidade social, desta vista percebemos que os meios com os quais os estudantes mediados pelos professores foram de fundamental importância para um trabalho interdisciplinar, investigativo e provocador.
            A audácia do corpo discente e docente com o apoio da direção fez-se necessária para entendermos a importância de se conhecer a realidade social em que estamos inseridos, partindo do pressuposto de que o conhecimento está em constante construção. Por isso, o presente trabalho pretende ir muito além de um simples relato histórico, mas procura incansavelmente despertar o interesse pela pesquisa e investigação de cunho sociológico e problematizador, com a finalidade de formar sujeitos críticos, reflexivos, que garantam uma autonomia diante do posicionar-se no mundo em que vivemos.
            Outros dois elementos que colocamos são a persistência e perseverança no ato da pesquisa, pois os dissabores frente às dificuldades provocaram sabores que favorecerão frutos para os futuros pesquisadores que se sintam inquietos em buscar outras perspectivas sobre o presente trabalho.
            A interdisciplinaridade busca estabelecer um diálogo entre os diversos campos do saber, portanto, salientamos a proposta da pesquisa embasada no conhecimento sociológico e histórico, que em discussão sadia com as demais áreas fomentou a pesquisa, investigação e aprimoramento para a construção deste trabalho.
            Assim, a pesquisa de campo, associada a uma metodologia do trabalho, fomentou o desejo de uma construção dialética pelo conhecimento seguro, inovador por querer entender o processo histórico de formação da história da escola por meio de relatos de memória.

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Anexos:

 Figura 1Pedro Evangelista Caminha  in memoriam) e sua esposa Francisca de Moura Caminha.


Figura 2 Homenagem feita aos 50 anos da escola Pedro Evangelista Caminha

Figura3: Placa da escola - reforma

Figura4: Alunos juntamente com o professor Kelson visitam a casa de José Honório ( camisa de gola , usando óculos) que foi o segundo professor contratado pela escola na década de 1970.